sábado 7, fevereiro, 2026 - 20:34

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Venda conjunta dos direitos de TV mudou o jogo no Brasil – 07/02/2026 – Esporte

A negociação coletiva dos direitos de transmissão marcou uma mudança estrutural no fu

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A negociação coletiva dos direitos de transmissão marcou uma mudança estrutural no futebol brasileiro. Os resultados obtidos desde a criação da FFU (Futebol Forte União) demonstram, de forma concreta, o impacto desse novo modelo.

A atuação coordenada de mais de 30 clubes viabilizou a maior operação financeira da história do futebol nacional: a injeção de R$ 2,2 bilhões por investidores privados, nacionais e internacionais, distribuídos entre equipes de diferentes divisões. O objetivo foi criar previsibilidade, capacidade de planejamento e redução de riscos em um ambiente historicamente marcado pela instabilidade financeira e jurídica.

No campo da mídia, o avanço foi ainda mais expressivo. A venda conjunta resultou na maior negociação de direitos de TV já registrada no país. Considerando Série A, Série B e placas de publicidade, os contratos assinados superam R$ 10 bilhões entre 2025 e 2029, patamar impossível de ser alcançado por meio de negociações individuais e fragmentadas.

Pela primeira vez, partidas das duas principais divisões passaram a ser exibidas por grupos globais de comunicação e streaming, como YouTube, Amazon e ESPN.

Os efeitos práticos do novo modelo ficaram evidentes logo no primeiro ano. Em 2025, houve um incremento adicional de R$ 460 milhões em relação ao ciclo anterior, com aumento médio individual de 55% para os clubes da Série A em comparação com 2024. Mais relevante foi a redução de uma distorção histórica: a diferença entre quem mais e menos arrecada caiu de 6,27 vezes para 1,97 vez, patamar próximo ao da Premier League, referência global em equilíbrio competitivo.

Os benefícios também alcançaram a Série B. Entre 2024 e 2025, os valores recebidos pelos clubes com a venda de direitos de transmissão cresceram para R$ 14,3 milhões por instituição, um aumento superior a 50%. A partir de 2027, o modelo de distribuição passará a destinar 85% das receitas à Série A e 15% à divisão de acesso, garantindo um salto de arrecadação em nível inédito para uma divisão tradicionalmente marcada por receitas instáveis e baixa previsibilidade.

O modelo não elimina diferenças de mercado nem a meritocracia esportiva, mas corrige distorções que comprometiam a competitividade e a sustentabilidade dos campeonatos. É apenas um primeiro passo no processo de modernização do futebol. Com receitas mais previsíveis e menos concentradas, os clubes ganham condições reais de planejar investimentos, reduzir endividamento e fortalecer a gestão.

A governança da FFU e do Condomínio resulta de anos de negociação entre clubes e investidores, com assessoria especializada, regras estatutárias rígidas e transparentes e dupla deliberação sobre temas relevantes. As discussões, decisões e assinaturas ocorrem em assembleias gravadas e abertas aos clubes, que são sócios da entidade. Nesse ambiente, diálogo, debate, questionamentos e ajustes são naturais e essenciais para a evolução de um modelo coletivo.

Esse conjunto de avanços aproxima o futebol brasileiro das principais ligas do mundo, que têm os clubes como protagonistas e responsáveis pela condução do negócio. É um passo decisivo rumo a um ecossistema mais moderno, competitivo e sustentável.



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