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Wilson Marqueti defende mudança de poder na eleição da FPF – 10/01/2026 – Esporte

Ex-vice-presidente de Reinaldo Carneiro Bastos na FPF (Federação Paulista de Futebol),

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Ex-vice-presidente de Reinaldo Carneiro Bastos na FPF (Federação Paulista de Futebol), Wilson Marqueti Júnior tenta transformar a ruptura com o velho aliado em plataforma eleitoral para apresentar-se como alternativa à atual gestão.

Após ter deixado o cargo acusando Bastos de autoritarismo e falta de diálogo, Marqueti passou a trabalhar nos bastidores à procura de dirigentes de clubes que também estejam descontentes com o atual presidente.

Ele afirma que já encontrou vozes, inclusive de um dos quatro clubes grandes, mas não revela seus apoios até confirmar sua chapa. “Os clubes ainda não me permitiram [divulgar]”, disse à Folha.

Com discurso de renovação, defesa de maior representatividade e crítica à “concentração do poder em poucas mãos”, Marqueti tenta impedir que Bastos se mantenha no cargo por mais quatro anos. Ele ocupa a cadeira desde 2015.

Sem ter ocupado cargos executivos no esporte, Marqueti defende sua candidatura a partir de suas experiências na área jurídica do esporte, sobretudo como procurador-geral do TJD-SP (Tribunal de Justiça Desportiva).

A eleição vai ocorrer neste ano, mas ainda não tem data definida.

O que o motivou a concorrer à presidência da Federação Paulista de Futebol?

Eu fiquei, praticamente, 12 anos na federação. Entrei no Tribunal de Justiça Desportiva, na condição de procurador de comissão. Aí fui subindo até virar procurador-geral. Minha gestão terminou em junho do ano passado. Em agosto, fui convidado pelo atual presidente para ser vice-presidente de relações governamentais e institucionais da federação. Como eu gosto de futebol e atuo muito na área de direitos esportivos, resolvi aceitar. Só que o que aconteceu? Logo de início, como estava no tribunal, eu verificava as dores dos clubes, as necessidades, e eu tinha várias ideias e projetos para a gente poder levar para o presidente, para a direção, para mudar determinadas ações da própria federação, mas eu verifiquei que eu não podia implementar nada. Os projetos não eram aceitos, não eram discutidos.

Tinha uma alegação específica para as recusas?

A alegação era que minha função como vice-presidente governamental era de relacionamento com autoridades, relacionamento com o poder público. Mas, sendo vice-presidente, eu queria levar mudanças, queria levar para a atual gestão as coisas que eu via que não estavam funcionando e que eu queria mudar.

Em entrevista à Mônica Bergamo, o sr. acusou o atual presidente da FPF de ter uma gestão autoritária.

A gestão é completamente autoritária e centralizada no presidente. Até para os clubes existe uma barreira para tentar alguma coisa diferente. E a gota d’água foi que eu tomei conhecimento, posteriormente, que houve uma alteração estatutária, no meio de uma assembleia de aprovação de contas, para mudança para mais uma reeleição, autorizando mais uma reeleição do atual presidente.

Antes, era permitida apenas uma reeleição.

Isso. Mas, na verdade, a gestão atual vai completar dez anos porque ficou dois anos a mais, né? O atual presidente era vice-presidente do Marco Polo Del Nero. Quando o Marco Polo foi para a CBF, ainda faltavam dois anos de mandato. Ele [Reinaldo Carneiro] complementou dois, depois ficou mais quatro e mais quatro. Na última eleição dele, ele fez um discurso dizendo que seria a última, agradecendo a todo o mundo. Aí eu fui surpreendido que houve uma alteração de estatuto, permitindo mais uma reeleição. Eu, na condição de vice, estava na linha sucessória. E não fui comunicado.

Houve alguma mudança no regimento para a marcação da eleição?

A eleição precisa, obrigatoriamente, ser em 2026, mas não tem uma data limite. E quem define a data é o presidente. Pode uma pessoa ter esse poder de marcar a eleição em que está concorrendo? Tudo isso tem que ser mudado.

O sr. tem apoio de clubes que compactuam da mesma opinião?

Para mim, foi uma surpresa, porque em um primeiro momento é muito difícil você quebrar um paradigma. E eu estou conversando com vários clubes e percebendo a insatisfação em relação a isso, em relação a essa continuidade.

Essa insatisfação parte dos clubes da capital, sobretudo os grandes, ou ecoa mais no interior do estado?

Eu acho que existem objetivos diferentes. Os clubes grandes têm determinados objetivos, os clubes do interior têm outros objetivos. Aí depende de cada clube. Mas mesmo nos clubes grandes, com que eu tenho conversado, já conversei praticamente com todos, eu vejo uma insatisfação com relação à direção da federação.

O sr. tem apoio de algum dos clubes grandes?

O apoio já tem, mas os clubes ainda não me permitiram [divulgar], porque é uma coisa muito nova.

Há o apoio de pelo menos um dos clubes grandes do estado, Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos?

Sim, com certeza.

Reportagem publicada pelo UOL afirma que a sua candidatura conta com o apoio de Marco Polo Del Nero, ex-presidente da FPF e também da CBF, atualmente banido do futebol. O sr. conta ou gostaria de contar com o apoio dele?

Foi surpresa para mim essa afirmação. Ele [Reinaldo Carneiro] foi vice-presidente do Marco Polo e depois foi um dos vices na CBF. Então, foi uma surpresa ele [Reinaldo] vincular o meu nome como uma possível candidatura apoiada pelo doutor Marco Polo. O que existe é o quê? Não há ainda uma candidatura, ainda não estamos em período eleitoral. Agora, é claro, o doutor Marco Polo tem o direito de apoiar quem ele quer. Eu não estou, de forma nenhuma, negando o apoio de ninguém. Mas essa situação que foi colocada nessa reportagem, dizendo que é uma candidatura do Marco Polo, é uma candidatura bancada pelos homens, isso não existe.

Caso tenha esse apoio, mesmo que nos bastidores, o sr. aceitará?

Eu não sei se o doutor Marco Polo está efetivamente no futebol, porque não ouvi mais falar o nome dele vinculado ao futebol. Eu não sei qual seria a vinculação dele e qual seria esse apoio dele, porque, pelo que eu sei, o doutor Marco Polo está afastado. Respeito o doutor Marco Polo, respeito também o atual presidente, você nunca vai me ver falar mal da pessoa, porque não é uma questão aqui de uma divergência entre pessoas.

Entre os clubes que resolveram apoiar sua possível candidatura, qual foi o principal motivo relatado por eles?

Existe uma situação hoje: o futebol de São Paulo perdeu um pouco de protagonismo no futebol nacional. A gente verifica isso no distanciamento da federação em relação à CBF. Existe esse distanciamento, e existe uma falta de representatividade junto à CBF. Os clubes grandes estão sentindo essa situação.

Como essa falta de representatividade se reflete na prática?

A representatividade, por exemplo, é vista na própria tabela [dos campeonatos], na organização, nas datas.

Qual sua opinião sobre as mudanças feitas recentemente pela CBF na organização do calendário do futebol brasileiro?

Os clubes de São Paulo estão reclamando. É uma situação que realmente ficou ruim. O Campeonato Paulista diminuiu muito. E qual é a atuação da federação nesse sentido? O que a federação fez? Eu não verifiquei nada.

O sr. tem um projeto para o calendário?

A gente tem que sentar e conversar com a CBF. O atual presidente [Samir Xaud] começou recentemente, teve a coragem e o dinamismo de mudar, fazer um novo calendário. Ele está começando um novo trabalho. É o novo. É o que a gente quer aqui, um novo.

Casos de racismo no futebol brasileiro estão cada vez mais comuns, inclusive em jogos de categorias de base. Que projeto o sr. tem para combater o racismo e outras formas de discriminação?

Não pode ser só uma situação punitiva. Precisamos identificar essas pessoas e tentar entender por que que elas fizeram determinado tipo de ato, de onde vem isso. São crimes, e existe hoje uma delegacia no futebol especializada. Agora, a conscientização tem que vir lá de baixo.

O sr. é a favor de medidas como torcida única em clássicos? Nós precisamos tentar mudar isso. Para mudar, a federação tem que conversar com órgãos públicos. Agora, simplesmente, fica uma acomodação. Aqui em São Paulo não se fala mais nisso. Eu não sei qual que é a posição individual de cada clube, porque realmente essa situação de torcida única é um tabu.


Raio-X | Wilson Marqueti Júnior, 58

Vice-presidente institucional e de relações governamentais da FPF durante parte do segundo mandato de Reinaldo Carneiro, deixou o cargo em agosto de 2025, rompido com o presidente. É formado em direito, com atuação nas áreas empresarial, societária, bancária, trabalhista, comercial, familiar e desportiva. Foi procurador-geral do Tribunal de Justiça Desportiva do Estado de São Paulo e presidente do Tribunal de Justiça Desportiva do Basquetebol de São Paulo.



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