Goste você ou não de Donald Trump, em algo é preciso admirá-lo: o presidente norte-americano tem uma capacidade única de conseguir ser o centro das atenções em boa parte do mundo ao mesmo tempo –mais do que a Taylor Swift.
Só nos últimos dias, surpreendeu o continente americano com a intervenção na Venezuela; deixou a Europa assustada com a ameaça de anexar a Groenlândia, que pertence ao Reino da Dinamarca; irritou Vladimir Putin ao apreender um petroleiro de bandeira russa. Trump domina as manchetes onde quer que você more. Ser temido e paparicado é algo que certamente adora. E, há algum tempo, ele faz o mesmo quando o assunto é Copa do Mundo.
Em uma festa com três anfitriões –Estados Unidos, Canadá e México–, faz questão de mostrar que o protagonista é ele. Ameaçou os vizinhos, dizendo que adoraria que o Canadá fosse o 51º estado norte-americano e que não descartava invadir o México militarmente para combater cartéis de drogas (voltou a dizer o mesmo depois de ter capturado Nicolás Maduro).
Dentre os convidados, só entra quem ele aprova. Torcedores de Haiti e Irã, classificados para a Copa, foram barrados. Fazem parte de uma lista de países cujos cidadãos estão banidos de entrar nos Estados Unidos por questão de segurança. Algumas saias justas foram evitadas: a Venezuela não se classificou, a Ucrânia vai disputar os “playoffs” europeus em março, mas os russos continuam suspensos do futebol. A Dinamarca ainda tenta vaga no Mundial. A ver se a Groenlândia será de Trump até lá.
O governo norte-americano também prometeu monitorar redes sociais de turistas que pedirem visto, retirar partidas de cidades-sede que Trump considere inseguras, e por aí vai. Mas, se você acha que a comunidade internacional ou a Fifa vai se mobilizar contra qualquer dessas questões, esqueça. Nada vai mudar, e Trump vai mandar no que quiser.
A verdade é que quase nenhum país do mundo quer bater de frente com os Estados Unidos. Há muito em jogo quando se fala de relações comerciais e dependência militar. A Europa tem se ajoelhado aos pés de Trump porque precisa muito do apoio dele para tentar acabar com a guerra na Ucrânia. A Fifa quer tanto agradá-lo que criou um Prêmio da Paz especialmente para ele, em um momento constrangedor do sorteio dos grupos da Copa em dezembro.
Durante a Copa do Mundo, espere alguns protestos esparsos da população. E só.
Vendo o lado positivo, não tenho dúvidas de que o torneio será muito bem organizado. Os Estados Unidos sabem sediar eventos esportivos como ninguém. Trump, empresário de sucesso, estará determinado a fazer esta Copa dar certo.
Além disso, o futebol cresceu muito no país desde a última vez em que eles sediaram um Mundial, em 1994, graças às conquistas no feminino –elas são tetracampeãs mundiais–, ao desenvolvimento da MLS (Major Soccer League) e ao fato de o esporte hoje ser globalizado.
Se o presidente norte-americano deixar, algumas manchetes serão esportivas. Até porque, nessa competição expandida com 48 seleções e 104 partidas, assunto e emoção não vão faltar.
E, se você, torcedor de esporte, ficar cansado de ouvir, ver e ler o nome de Trump até lá, tenha paciência. Até porque daqui a pouco tem mais: Jogos Olímpicos de Los Angeles-2028 com, sim, ele mesmo no poder.

