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Esporte

Razões para ser otimista com o esporte feminino em 2026 – 02/01/2026 – Marina Izidro

Não sei qual foi sua última memória esportiva do ano, mas espero que tenha sido melhor

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Não sei qual foi sua última memória esportiva do ano, mas espero que tenha sido melhor do que a minha.

A partida exibição entre Nick Kyrgios e Aryna Sabalenka, em 28 de dezembro, foi chamada de reedição da Batalha dos Sexos. Não teve nada a ver com o evento original de 1973, com Billie Jean King, esse, sim, relevante na busca por igualdade de gênero no tênis.

Ver, em pleno 2025, um tenista que assumiu ter agredido a ex-namorada, faz comentários machistas e ocupa a 671ª posição do ranking da ATP enfrentar a número um do mundo em uma quadra em que o lado dela era menor do que o dele –afinal, segundo organizadores, “mulheres são mais lentas”– foi patético.

Não foi entretenimento, foi desserviço ao esporte feminino. Difícil entender se o que fez Sabalenka submeter-se a isso foi sede por dinheiro, má assessoria ou os dois. Ela perdeu, dando mais combustível a quem apoia a narrativa de que atletas mulheres são inferiores.

Em 2025, também foi duro ouvir comentários sexistas de dirigentes esportivos e treinadores, ver torcedores assediando jornalistas mulheres que só tentavam exercer seu trabalho, equipes femininas de futebol tratadas com desdém em comparação às dos homens do mesmo clube. Apesar de tudo, seguimos. Há motivos para otimismo no esporte feminino e para ver o copo meio cheio.

Em pouco mais de uma década, o futebol feminino teve grande crescimento, e, em boa parte do mundo, sabe-se que é um grande negócio para investidores e marcas. Torneios como Liga dos Campeões, Eurocopa e Copa do Mundo tiveram recordes de público e audiência. Segundo a Fifa (Federação Internacional de Futebol), quase 1 bilhão de pessoas assistiu ao Mundial de 2023 pela televisão.

A sociedade acompanha a mudança, e hoje é comum ver meninas jogando futebol, inclusive no Brasil. A final da Copa do Mundo feminina de rúgbi, entre Inglaterra e Canadá, foi a partida mais vista da modalidade no Reino Unido no ano, entre homens e mulheres, só para citar outro caso.

Antes tabu, temas como menstruação e gravidez no esporte já são debatidos abertamente. Atletas têm coragem de falar sobre eles e cobrar seus direitos. Dirigentes vêm se conscientizando de que a carreira delas não termina quando elas têm filhos, que elas têm direito a contratos de trabalho, licença-maternidade e suporte no retorno, quando precisam levar filhos pequenos para treinos e competições.

Iniciativas como a do COI (Comitê Olímpico Internacional) de atingir a paridade de gênero nos Jogos Olímpicos deram certo, e isso foi praticamente alcançado em Paris-2024. Nos últimos anos, a forma como a transmissão oficial de televisão é feita mudou, acabando com imagens fechadas do corpo das atletas.

Por trás das câmeras também há avanços, com programas do COI para aumentar o número de cinegrafistas mulheres nas arenas. Falo com conhecimento de causa porque fiz parte dessas equipes como repórter e trabalhei com excelentes profissionais. Não é sobre dar “cotas” a elas, mas oportunidades em um ambiente dominado por homens.

Outro erro dessa Batalha dos Sexos falsificada foi tentar equiparar homens e mulheres. O jogo feminino tem seu próprio espaço, não é igual ao masculino, nem precisa ser. E essa é uma das belezas do esporte. Por sorte, o mundo percebe isso cada vez mais.


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