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Esporte

‘Epidemia’ de mortes em novembro mostra que há mais gente correndo – 08/12/2025 – No Corre

Anna Sol Faria, 34, advogada, num 21 km em São Paulo, no dia 2; Ronny Marques da Fonseca

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Anna Sol Faria, 34, advogada, num 21 km em São Paulo, no dia 2; Ronny Marques da Fonseca, 33, gestor de condomínios, numa prova de triatlo, em João Pessoa, uma semana depois; José Nogueira Neto, 48, empresário, numa meia maratona em João Pessoa, no 16; Thiana Biondo, 44, jornalista, ao treinar na orla de Salvador no último sábado de novembro.

Pipocam anúncios de mortes de atletas amadores em plena prática. O que isso significa?

Basicamente, que há mais pessoas a praticar atividade física —e mais canais de divulgação, inclusive dos eventos de corrida.

Há um ano, escrevi na coluna “Morrer faz parte do jogo” que “morte de corredor na Meia de Sampa [ocorrida em 10 de novembro de 2024] dificilmente será a última de alguém a disputar uma prova”.

Embora as mortes virem notícia, não é possível inferir disso que correr é letal: para a esmagadora maioria das pessoas, a atividade física melhora sua condição cardiorrespiratória.

Um estudo publicado na revista The Physician and Sportsmedicine indicou que nos Estados Unidos há uma morte a cada grupo de pouco mais de 300 mil concluintes de provas de corrida. O dado antes aceito: uma morte a cada 200 mil corredores.

Já as provas no Brasil aumentam: 33% no primeiro semestre de 2025 em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo a Ticket Sports, principal vendedora de inscrições por aqui.

Mas, beleza, apesar do risco baixo da atividade física, e, importante dizer, risco bastante inferior ao da inatividade, ele existe, especialmente por conta de cardiopatias escondidas. Daí que a Abraceo, entidade dos organizadores de provas, junto com a Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte, recomenda a realização da APP, uma avaliação médica que leva em conta resultados de check-ups tradicionais e também o histórico clínico familiar.

As mortes na Paraíba tiveram consequência política: os vereadores de João Pessoa aprovaram lei exigindo atestado de saúde, emitido por médico com CRM, para os que se inscrevem em provas de caráter “competitivo ou participativo”.

Falta ainda a sanção do prefeito, que manifestou-se contrário à lei, mas a reação da Câmara, movida pelo calor do momento, tende a ser pouco efetiva, e deve gerar um mercado paralelo de atestados e um trabalho maior para o organizador.

“Além de os vereadores não nos chamarem para discutir o projeto, exigem ao final que nos viremos com esses ‘vinte mil papeizinhos’”, disse à coluna Paulo Carelli, vice-presidente da Abraceo.

Carelli, que é claramente contra a lei municipal, informa que o que está por ser publicado pela CBAt, a Confederação Brasileira de Atletismo, que regula as provas de corrida, mesmo as amadoras, é a presença mandatória de um diretor médico nos eventos. A Abraceo endossa a exigência.

Mas e na corrida nossa de cada dia? Sim, é possível auscultar o corpo, às vezes sem o concurso de frequencímetros ou gadgets mais modernos. Tonturas, por exemplo, são sinal claro de que se passou do ponto e é hora de parar.

O educador físico Nuno Cobra, que ajudou a tornar a condição cardiorrespiratória de Ayrton Senna “abundante”, como diz, recomenda durante o exercício que o corredor fale sem interrupções a frase “Eu moro para lá de Paranapiacaba”.

Itaquaquecetuba também vale.


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