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Esporte

A Copa com 48 seleções vem aí – 21/11/2025 – Marina Izidro

Fiquei me perguntando se faltou cerveja em algum pub da Escócia na última terça (18

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Fiquei me perguntando se faltou cerveja em algum pub da Escócia na última terça (18).

Depois de uma vitória heroica sobre a Dinamarca por 4 a 2, a seleção escocesa se classificou para a Copa do Mundo pela primeira vez desde 1998. As imagens dos simpáticos escoceses comemorando esse conto de fadas, felizes da vida, seguem passando na TV aqui no Reino Unido.

Temos 42 vagas definidas das 48 dessa Copa do Mundo expandida. Brasil, Argentina, Inglaterra, Alemanha, Portugal, Espanha etc. E também estarão lá Curaçao, ilha do Caribe que é a menor nação da história a se classificar. Outro estreante é o Uzbequistão, que garantiu seu lugar mais cedo do que a seleção brasileira.

Quando a Fifa anunciou o aumento no número de seleções, no início de 2017, a repercussão na Europa foi amplamente negativa. Com o torneio ficando cada vez mais real, com vagas definidas e sorteio dos grupos em 5 de dezembro, já dá para saber se uma Copa deste tamanho é boa ou má ideia?

Críticas são justas: de que a qualidade do torneio pode diminuir, que podemos ter jogos ruins e potencialmente goleadas humilhantes. Viajar entre Estados Unidos, Canadá e México, com largas dimensões territoriais, será um desafio de logística.

Pensando em um planeta que não para de aquecer, e no calor escaldante do verão norte-americano, haverá jogos ao meio-dia em estádios descobertos, o que é um risco para a saúde dos jogadores.

E, mesmo se não der certo, depois que um torneio cresce, é difícil recuar. E isso deve mudar a maneira como candidaturas serão feitas, porque poucos países têm arenas suficientes para tantas partidas –serão 104 desde a abertura, em 11 de junho, até a final, em 19 de julho.

Para a Fifa, é ótimo: aumento da audiência do esporte mais assistido no mundo, entrada em novos mercados. Mais seleções, mais dinheiro –US$1 bilhão a mais com a expansão, segundo o jornal britânico The Guardian.

Acredito que alguns pontos seguem indefinidos: ainda que se trate da Copa, e mesmo para quem ama o esporte, o quanto é muito para o espectador em termos de número de jogos? Se a Copa é para a elite do futebol, mas 48 seleções agora conseguem fazer parte, a reputação do evento pode ser afetada? Ao mesmo tempo, hoje em dia, com o futebol tão globalizado, será que a diferença de nível será tão grande assim?

Da primeira edição, em 1930, no Uruguai, com 13 seleções, o número subiu para 24, em 1982, e 32 a partir de 1998. Para defender um novo aumento, a Fifa alega que, dos seus 211 membros, 135 nunca tiveram a chance de se classificar e que, agora, mais países “terão a chance de sonhar”.

O continente africano, que se sentia sub-representado, celebrou o novo formato. Já nações tradicionais europeias, como Inglaterra e Alemanha, defendem um torneio “menor.”

Confesso que é difícil ter opinião formada agora, e só depois que a competição começar haverá mais certezas. Mas tento ver o tema com uma visão menos eurocêntrica que, às vezes, flerta com o preconceito.

Uma Copa com 48 seleções é algo bom ou ruim? Neste momento, parece que depende para quem você pergunta.


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