vale a pena ou é melhor o tradicional?
Ao todo, o FGTS abrange cerca de 130 milhões de trabalhadores e trabalhadoras no Brasil, segundo dados da Caixa Econômica Federal. Desde 2020, o saque-aniversário já liberou aproximadamente R$ 192 bilhões. Hoje, 40,3 milhões de pessoas aderiram à modalidade, das quais 28,5 milhões têm operações de antecipação ativas.
O volume expressivo reforça como o fundo tem sido cada vez mais utilizado como instrumento de liquidez, o que traz à tona uma dúvida recorrente entre trabalhadores: vale a pena aderir ao saque-aniversário ou é mais vantajoso manter o modelo tradicional, com retirada integral em caso de demissão sem justa causa?
Para Túlio Matos, CEO da iCred, antecipação do FGTS e consignado trabalhador, a decisão deve passar por uma análise individual e pelo momento financeiro de cada pessoa.
Criado como alternativa ao saque-rescisão, o saque-aniversário permite retiradas anuais de parte do saldo do FGTS no mês de aniversário. Em contrapartida, ao optar por essa modalidade, o trabalhador abre mão de acessar o valor total dos recursos em caso de desligamento, mantendo apenas o direito à multa rescisória.
“O saque-aniversário pode ser uma ferramenta útil para quem precisa de liquidez no curto prazo ou quer organizar melhor o fluxo de caixa. Por outro lado, é importante considerar a perda do acesso ao valor integral em uma eventual demissão”, afirma o executivo.
Liquidez imediata ou reserva de segurança
Segundo Matos, o principal ponto de atenção está no objetivo do uso do recurso. Em situações de endividamento com juros elevados, como no cartão de crédito, que pode ultrapassar 400% ao ano, e no cheque especial, com taxas anuais superiores a 150%, acessar o saldo do FGTS pode ajudar a reorganizar a vida financeira. “Quando bem planejado, pode ser uma alternativa para substituir dívidas mais caras por uma linha com custo menor”, diz.
Por outro lado, manter o FGTS no modelo tradicional tende a ser mais indicado para quem prioriza segurança. Isso porque o fundo funciona como uma reserva relevante em momentos de instabilidade profissional.
O risco de desligamento também pesa na decisão. “Em contextos de maior rotatividade, é indicado preservar o acesso ao valor integral do saque–rescisão. Já em cenários de renda mais previsível e estável, o saque-aniversário pode ser considerado”, explica o CEO.
Regras e impacto no longo prazo
O executivo também alerta que a adesão ao saque-aniversário é opcional, mas a migração de volta para o saque-rescisão não é imediata, o que exige planejamento. Além disso, ao antecipar valores futuros, o trabalhador compromete parte do saldo que receberia nos anos seguintes.
“Apesar de ser uma alternativa de crédito com taxas geralmente mais baixas, é fundamental entender o impacto dessa decisão no médio e longo prazo”, afirma Matos.
Em um cenário de maior atenção ao orçamento e busca por alternativas de crédito, a escolha entre as modalidades tende a ser menos sobre uma regra geral e mais sobre adequação ao momento financeiro. “O mais importante é entender as regras e tomar uma decisão alinhada às necessidades e à realidade de cada trabalhador”, conclui o executivo.
Fonte: Com R$ 192 bilhões liberados desde 2020, modalidade avança como alternativa de acesso a recursos, mas exige avaliação individual