UNICEF alerta para impacto climático sobre crianças no mundo
Quase metade das crianças e adolescentes do mundo está vivendo hoje sob o impacto de, pelo menos, três ameaças climáticas. O alerta é do UNICEF, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, em um relatório divulgado nesta segunda-feira.
Segundo o estudo, cerca de 1 bilhão e 100 milhões de jovens enfrentam riscos como calor intenso, seca e enchentes — situações que afetam diretamente a saúde, a escola e até a sobrevivência. Praticamente todas as crianças do planeta já convivem com ao menos um desses problemas. Em alguns casos, elas podem enfrentar até seis ameaças diferentes ao mesmo tempo.
No Brasil, o cenário também preocupa. São 16 milhões de crianças e adolescentes expostos a três ou mais riscos climáticos, o que corresponde a 3 em cada 10 pessoas nesta faixa etária. Quando se considera dois ou mais impactos, o número passa de 30 milhões — ou seja, a maioria dos jovens brasileiros já sente esses efeitos no dia a dia. O especialista em Mudanças Climáticas do UNICEF no Brasil, Danilo Moura, avalia que o combate a esses fenômenos é de extrema dificuldade, pelo fato de serem frequentes e interligados.
“O fato de que eles são recorrentes, que eles acontecem ano após ano e de que um acaba influenciando o que vai acontecer a seguir e que cada um deles vai fragilizando esse sistema de proteção e de garantia de direitos, você vai expondo as crianças a outros tipos de risco que vão aumentando. É um efeito composto, a crise climática vai acumulando impactos negativos sobre as crianças, que vão sendo impactadas por esses choques, né.”
O relatório analisou oito tipos de ameaças: enchentes costeiras, secas, calor extremo, queimadas, ondas de calor, enchentes fluviais, tempestades de areia e poeira, e tempestades tropicais. Além disso, também trouxe dados relacionados à poluição do ar e às doenças transmitidas por vetores. E, pela primeira vez, mostra exatamente onde esses problemas acontecem com mais força e como eles prejudicam serviços essenciais, como saúde, educação e acesso à água.
O estudo destaca que crianças de regiões mais pobres, com menos acesso a serviços básicos, têm mais dificuldade de se recuperar desses impactos.
O UNICEF sugere ações como a redução das emissões de gases que causam o aquecimento global, investimentos em adaptação climática e reforço nos serviços públicos.