Títulos do Brasil em Copas tiveram enredos diferentes – 25/06/2026 – Esporte


Embora todas as Copas vencidas pelo Brasil tenham terminado com imagens semelhantes, que mostram o capitão erguendo a taça, cada uma foi recebida de forma diferente pela torcida. Nenhuma das jornadas foi exatamente tranquila.

A galeria de conquistas mostrou times muito modificados durante o torneio, um futebol que encantou o mundo, outro futebol considerado “feio”, e alguns dos maiores craques brasileiros em episódios pessoais de consagração e redenção.

Se hoje a seleção campeã de 1958 é celebrada como uma das maiores reuniões de talento da história, os primeiros dias na Suécia indicavam um destino mais sombrio.

A escalação dos dois primeiros jogos não levou a campo os dois dos três maiores responsáveis pelo título que viria: Pelé e Garrincha. Além disso, o centroavante Vavá, vital na campanha, não atuou na estreia.

Aos 17 anos, Pelé pedia passagem para o time titular, mas nunca a seleção havia escalado alguém tão jovem.

Depois do empate sem gols diante dos ingleses na segunda rodada, o que tornou obrigatória a vitória contra a União Soviética no jogo seguinte, os brasileiros passaram quatro dias junto aos rádios, acompanhando a polêmica sobre a necessidade de mudanças.

Nos quatro jogos seguintes, Vavá e Pelé fizeram 11 dos 13 gols marcados pelo Brasil, garantindo o título de uma equipe que nunca havia treinado junta.

Quatro anos depois, no Chile, ganhar o bicampeonato era uma perspectiva concreta, com Pelé e Garrincha exaltados em todo o mundo.

Então veio o segundo jogo, contra a Tchecoslováquia, e Pelé se machucou, abandonando a Copa. Com dez em campo, já que na época o futebol ainda não tinha a regra de substituição, a seleção segurou um empate sem gols.

Para o resto da Copa, a opção foi escalar Amarildo, que tinha como credencial jogar ao lado de Garrincha no ataque do Botafogo. Ele se saiu bem, marcando os dois gols da vitória seguinte, contra a Espanha.

Mas a Copa de 1962 acabou sendo a consagração de Garrincha. Ele jogou uma barbaridade na ausência de Pelé. Essa façanha é comparada à atuação de Maradona no México, em 1986, no bicampeonato da Argentina, nas chamadas “Copas vencidas por um homem só”.

Veio então 1970 e o time considerado o melhor de todos os tempos. Mesmo assim, levantou dúvidas antes do torneio. O Brasil tinha cinco jogadores excepcionais que atuavam de forma parecida em seus clubes: Pelé (Santos), Tostão (Cruzeiro), Jairzinho (Botafogo), Rivelino (Corinthians) e Gérson (São Paulo). A questão era achar uma maneira de encaixar jogadores que ocupavam o mesmo espaço no campo.

Para piorar, o Brasil enfrentaria no segundo jogo a Inglaterra, favorita ao bi depois de levar a taça em 1966. Mas o Brasil ganhou de 1 a 0 e inflamou a torcida. O time venceu todas as partidas, e o quinteto de craques fechou a campanha com um passeio nos 4 a 1 contra a Itália na final. Bom futebol e campanhas ufanistas do regime militar marcaram o auge do futebol brasileiro.

Depois de 24 anos sem chegar ao tetra, o Brasil ganhou em 1994 sob críticas por praticar um futebol “feio”. O time dirigido por Carlos Alberto Parreira valorizava a posse de bola, mas sem atacar de forma intensa. O treinador foi atacado ao declarar que “o gol é um detalhe no futebol”.

A vocação defensiva de seu time teve como símbolo a troca de Raí, que começou a Copa como um terceiro atacante, por Mazinho, volante que se juntou a Dunga e Mauro Silva num meio-campo exageradamente cauteloso.

Para coroar esse estigma de futebol defensivo, a final contra a Itália terminou sem gols, com o título conquistado nos pênaltis.

No quinto título, em 2002, Luiz Felipe Scolari enfrentou pressão popular pela convocação de Romário, que não foi chamado. Felipão apostou em Ronaldo Nazário, que tinha seu futebol questionado após duas cirurgias no mesmo joelho.

Ronaldo foi o artilheiro da Copa, com oito gols. O time, com Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho, foi aclamado por proporcionar o retorno de um futebol bonito e ofensivo.

Em 2026, as circunstâncias permitem pensar em repetições dessas diferentes visões do Brasil campeão: com mudanças radicais no time e a volta de um futebol mais agressivo, ou a consagração de um grande jogador, ou a redenção de um ídolo.

Resta saber se Vini Jr. pode ser um Garrincha ou Neymar consegue reagir como Ronaldo.


O BRASIL NAS CINCO COPAS QUE CONQUISTOU

1958 – SUÉCIA

Brasil 3 x 0 Áustria

Brasil 0 x 0 Inglaterra

Brasil 2 x 0 URSS

Brasil 1 x 0 País de Gales

Brasil 5 x 2 França

Brasil 5 x 2 Suécia

Jogos: 6

Vitórias: 5

Empate: 1

Gols a favor: 16

Gols contra: 4

Artilheiros

Pelé, 6 gols

Vavá, 5 gols

Mazzola, 2 gols

Didi, Nilton Santos e Zagallo, 1 gol

1962 – CHILE

Brasil 2 x 0 México

Brasil 0 x 0 Tchecoslováquia

Brasil 2 x 1 Espanha

Brasil 3 x 1 Inglaterra

Brasil 4 x 2 Chile

Brasil 3 x 1 Tchecoslováquia

Jogos: 6

Vitórias: 5

Empate: 1

Gols a favor: 14

Gols contra: 5

Artilheiros

Garrincha e Vavá, 4 gols

Amarildo, 3 gols

Pelé, Zagallo e Zito, 1 gol

Brasil 4 x 1 Tchecoslováquia

Brasil 1 x 0 Inglaterra

Brasil 3 x 2 Romênia

Brasil 4 x 2 Peru

Brasil 3 x 1 Uruguai

Brasil 4 x 1 Itália

Jogos: 6

Vitórias: 6

Gols a favor: 19

Gols contra: 7

Artilheiros:

Jairzinho, 7 gols

Pelé, 4 gols

Rivelino, 3 gols

Tostão, 2 gols

Clodoaldo, Carlos Alberto Torres e Gérson, 1 gol

1994 – ESTADOS UNIDOS

Brasil 2 x 0 Rússia

Brasil 3 x 0 Camarões

Brasil 1 x 1 Suécia

Brasil 1 x 0 EUA

Brasil 3 x 2 Holanda

Brasil 1 x 0 Suécia

Brasil 0 x 0 Itália (3 x 2 nos pênaltis)

Jogos: 7

Vitórias: 5

Empates: 2

Gols a favor: 11

Gols contra: 3

Artilheiros:

Romário, 5 gols

Bebeto, 3 gols

Branco, Márcio Santos e Raí, 1 gol

2002 – COREIA DO SUL E JAPÃO

Brasil 2 x 1 Turquia

Brasil 4 x 0 China

Brasil 5 x 2 Costa Rica

Brasil 2 x 0 Bé lgica

Brasil 2 x 1 Inglaterra

Brasil 1 x 0 Turquia

Brasil 2 x 0 Alemanha

Jogos: 7

Vitórias: 7

Gols a favor: 18

Gols contra: 4

Artilheiros:

Ronaldo, 8 gols

Rivaldo, 5 gols

Ronaldinho Gaúcho, 2 gols

Edmílson, Júnior e Roberto Carlos, 1 gol



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