SUS volta a oferecer reforço contra pólio para crianças com 4 anos
O Sistema Único de Saúde (SUS) voltará a incluir no calendário vacinal infantil o 2º reforço contra a poliomielite para crianças com quatro anos, a partir de 3 de agosto deste ano, de acordo com nota técnica do Programa Nacional de Imunização publicada na última semana.
Dessa forma, o calendário volta a seguir o esquema vacinal de 2024, em que todas as crianças recebiam três doses da vacina injetável e depois mais duas doses com o imunizante oral, a conhecida gotinha.
A diferença desse esquema vacinal é que todas as doses serão injetáveis (as quais contêm o vírus inativado, a VIP).
O médico infectologista Henrique Valle Lacerda, do Hospital Brasília, reforça que, apesar de o Brasil ter erradicado a doença, nenhum país está totalmente livre enquanto houver circulação do vírus em alguma parte do mundo. Por isso, a imunização é fundamental.
“O Brasil não registra casos há décadas, e isso é resultado direto de um programa vacinal forte. Por isso, devemos manter alta cobertura vacinal, atualizar o calendário e garantir os reforços na infância, o que é essencial para preservar essa conquista. A retomada do reforço aos 4 anos com a vacina inativada traz uma proteção individual e coletiva, especialmente em um cenário global de queda de coberturas vacinais, aumento de deslocamentos internacionais e risco de bolsões de crianças suscetíveis. Vacinar contra a pólio é proteger uma geração inteira de uma doença grave, incapacitante e evitável (imunoprevenível)”, diz.
Assim, o calendário de vacinação contra a poliomielite será feito da seguinte forma:
2 meses: 1ª dose;
4 meses: 2ª dose;
6 meses: 3ª dose;
15 meses: 1º reforço;
4 anos: 2º reforço.
O Ministério da Saúde destaca que todas as crianças menores de cinco anos que não tiverem recebido o imunizante precisarão ir ao posto de saúde para checar a necessidade de atualização das vacinas.
A médica infectologista Rosana Richtmann, do laboratório Exame, também destaca a importância da imunização.
“A poliomielite (paralisia infantil) é uma doença grave, que pode causar sequelas permanentes e que não tem cura. A vacinação continua sendo a principal forma de prevenção e é fundamental para manter a população protegida e evitar o retorno de casos da doença. É essencial que pais e responsáveis mantenham a carteira de vacinação das crianças sempre atualizada, seguindo as orientações do calendário vacinal”, pontua.
Segundo o Departamento do Programa Nacional de Imunizações (DPNI), o último caso de infecção pelo poliovírus no Brasil ocorreu em 1989 e, em 1994, o país recebeu a certificação de área livre de circulação do poliovírus selvagem. A vacinação é considerada uma das estratégias de saúde pública mais importantes da história.
A poliomielite é uma doença contagiosa causada pelo poliovírus, que pode infectar crianças e adultos por meio do contato direto com fezes ou por secreções eliminadas pela boca. Em casos mais graves, o vírus pode atingir a corrente sanguínea e chegar ao cérebro.