Seleção improvisada a dois meses da Copa – 25/03/2026 – Marcelo Bechler
Brasil e França se enfrentam nesta quinta-feira (26) em um amistoso que foi perdendo, a cada novo corte, seu papel de “teste de nível” para a Copa do Mundo.
Para o Brasil, a preparação para o Mundial se resumiu a praticamente nada, com a troca de técnico faltando um ano para a Copa. O jogo contra os franceses deveria ser relevante para medirmos nossas forças contra um bom time, mas servirá apenas para a observação de jogadores que ainda buscam alguma vaga entre os 26 nomes que serão anunciados em maio.
Se o trabalho de Carlo Ancelotti tivesse tido início-meio-fim, o italiano teria tido quatro anos para testar alguns nomes enquanto moldava uma forma de jogar. Quatro atacantes? Laterais defensivos? Marcação alta? Com centroavante ou sem? Durante as Eliminatórias, o técnico se faria essas perguntas e iria obtendo respostas.
Teríamos tido testes duros para avaliar o amadurecimento da ideia de jogo e das peças encaixadas. Os jogos com Argentina, Colômbia, Equador e Uruguai, no Brasil ou nos países vizinhos, mostrariam se o caminho estava sendo bem percorrido.
No entanto, Ancelotti chegou e não encontrou nada pré-construído. Um ciclo de três mudanças de técnico, nenhuma ideia de jogo e uma espera infinita por Neymar.
Por isso, enfrentar a França a pouco mais de dois meses da estreia na Copa do Mundo seria um jeitinho brasileiro de deixar tudo para a última hora e ver se seria o suficiente para nos sentirmos prontos. Aí vieram as lesões de Alisson, Militão, Marquinhos, Gabriel Magalhães, Alex Sandro, Bruno Guimarães, Estêvão e Rodrygo. São sete ou oito titulares imaginados pelo treinador que não vão poder jogar.
Douglas Santos, Casemiro, Vini Jr, Raphinha e Matheus Cunha garantem alguma base coletiva para um jogo que servirá para, apressadamente, concluir quais devem ser os zagueiros reservas, se temos algum lateral-direito confiável e quais as melhores opções para mudar o jogo no ataque.
O time será meramente ocasional e até pode valer para a comissão técnica fazer avaliações individuais, mas o jogo não servirá para termos alguma ideia se estamos no nível das melhores seleções do mundo.
A Copa ainda nem começou e o peso das más escolhas feitas desde 2022 pela CBF já cobram um preço alto. As demais favoritas estão apertando parafusos e lapidando detalhes, enquanto nós ainda estamos imaginando como iremos jogar.
O Mundial é um torneio de pouco mais de um mês, no qual reduzir a margem de erro é fundamental. Evitar surpresas e saber o que pode acarretar cada opção, cada jogador e cada substituição é fundamental para estar um passo à frente do oponente.
Existem várias formas de ganhar no futebol. Tite foi extremamente pragmático nos ciclos anteriores e perdeu duas Copas. Agora o Brasil aposta no inverso. Chegaremos no meio do caos. Sem saber se jogamos bem, se estamos preparados ou se devemos ficar pessimistas.
A nova camisa da seleção deveria ter um desenho aleatório em algum lugar representando o improviso e o jeitinho brasileiro de tentar fazer as coisas darem certo sem nenhum tipo de plano.
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