Segurança nos Jogos de Inverno tem robôs e drones – 04/02/2026 – Esporte


Para as autoridades encarregadas de garantir a segurança dos Jogos Olímpicos de Inverno, que começam esta semana no norte da Itália, um momento crucial virá antes mesmo do início das competições.

A cerimônia de abertura, na sexta-feira (6), atrairá bilhões de espectadores e reunirá uma série de dignitários no estádio San Siro, em Milão, para a grande apresentação dos Jogos. Ela também representa um alvo importante.

“Se os atacantes quiserem alterar os Jogos, sabotar os Jogos, a cerimônia de abertura é uma ótima oportunidade”, disse Franz Regul, que liderou os esforços de segurança cibernética para os Jogos Olímpicos de Verão de 2024 em Paris.

A cerimônia (com início previsto para sexta-feira, às 16h, no horário de Brasília) envolve mais de mil artistas que passaram centenas de horas ensaiando e servirá como o cartão de visitas da Itália para o mundo.

Proteger o espetáculo —que também contará com eventos simultâneos em locais olímpicos nas montanhas ao redor de Cortina e Livigno— exige uma das maiores e mais complexas operações de segurança da história italiana, envolvendo 6.000 policiais e agentes de segurança, além de uma frota de drones e robôs de vigilância para realizar inspeções.

“Nós treinamos, nos preparamos para os Jogos e, no nosso caso, durante a cerimônia de abertura, temos a nossa própria final olímpica”, disse Regul. Ele lembrou o alívio que sentiu quando a maior controvérsia em torno da cerimônia de abertura, dois anos antes, em Paris, se referiu à performance artística e não a uma falha de segurança.

Ainda assim, antes do amanhecer do dia da cerimônia de abertura, um ataque de sabotagem interrompeu a rede ferroviária de alta velocidade da França, deixando milhares de passageiros retidos e manchando um momento de glória nacional. Nenhum grupo reivindicou a responsabilidade.

Em 2018, um grande ataque cibernético levou à interrupção sem precedentes da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno em Pyeongchang, Coreia do Sul. O ataque interrompeu o acesso à internet e as transmissões televisivas, impediu o voo de drones que deveriam fazer parte de uma elaborada apresentação e derrubou o site dos Jogos. Também impediu que os espectadores imprimissem ingressos e comparecessem à cerimônia, resultando em um número incomumente alto de assentos vazios.

Esse ataque foi atribuído à Rússia, que, segundo o governo britânico, tentou disfarçar a ação como sendo perpetrada pela Coreia do Norte.

As ações russas representam uma ameaça aos Jogos Olímpicos há mais de uma década, desde que a exposição de um programa massivo de doping patrocinado pelo Estado levou à proibição internacional de atletas russos representarem seu país em grandes eventos esportivos —proibições que continuam em vigor desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. Os russos só podem competir nos Jogos de Milão-Cortina como atletas neutros, sem carregar a bandeira nacional.

As tentativas da Rússia de minar os Jogos recentes incluíram ataques cibernéticos e até mesmo uma elaborada campanha de desinformação antes das Olimpíadas de Paris, que incluiu um falso documentário com uma voz supostamente do ator Tom Cruise.

Daniel Byman, diretor do CSIS (Programa de Guerra, Ameaças Irregulares e Terrorismo do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais), com sede em Washington, afirmou que os organizadores das Olimpíadas se preocupam com ameaças estatais “porque tendem a ser mais qualificadas e ter mais recursos”.

Contudo, embora a Rússia seja vista por especialistas como uma das maiores ameaças estatais à realização segura dos Jogos Olímpicos, são os agentes de segurança de outra nação —os Estados Unidos— que mais preocupam os italianos.

A divulgação, na semana passada, de que agentes do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA) acompanhariam autoridades americanas aos Jogos Olímpicos provocou indignação na Itália, com autoridades e manifestantes expressando revolta contra a conduta dos agentes do ICE durante a agressiva repressão à imigração promovida pelo governo Trump em Minnesota.

Autoridades americanas buscaram esclarecer que as autoridades italianas são responsáveis por todas as operações de segurança. Elas afirmaram que o contingente do ICE não realizará fiscalização de imigração, mas sim atuará por meio da HSI (Divisão de Investigações de Segurança Interna), que frequentemente trabalha com parceiros internacionais em questões de segurança e ordem pública.

“O papel da HSI nas Olimpíadas será estritamente consultivo e baseado em inteligência, sem qualquer envolvimento em patrulhamento ou aplicação da lei”, disse Tilman J. Fertitta, embaixador dos EUA na Itália, em um comunicado na semana passada.

Ainda assim, a presença do ICE na Itália gerou o maior atrito diplomático pré-Jogos. O prefeito de Milão afirmou que o governo italiano deveria impedir a entrada do ICE, que ele descreveu como uma milícia envolvida em “atos criminosos”.

A reação negativa foi tão severa que autoridades olímpicas americanas anunciaram esta semana que o “Ice House”, um espaço de hospitalidade para atletas americanos em um hotel de Milão, seria renomeado para “Winter House”. O local “foi projetado para ser um espaço privado, livre de distrações”, disseram os organizadores em um comunicado.

Byman, um ex-analista de inteligência do governo dos EUA, afirmou desconhecer a presença do ICE em edições anteriores dos Jogos.

Para garantir a segurança das Olimpíadas de Paris, consideradas uma das mais bem-sucedidas dos últimos tempos, os organizadores bloquearam grandes áreas da cidade para o tráfego e mobilizaram milhares de militares uniformizados.

O plano de segurança para os Jogos de Milão-Cortina também incluirá robôs capazes de inspecionar áreas perigosas ou inacessíveis e —assim como em Paris— um centro de comando de cibersegurança 24 horas que monitorará as redes olímpicas e a infraestrutura de transporte essencial.



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