RJ: famílias de desaparecidos políticos homenageiam vítimas de tortura


Familiares de desaparecidos políticos promoveram uma homenagem a todas as pessoas que sofreram tortura no Brasil nesta sexta-feira, 26 de junho, Dia Internacional de Apoio às Vítimas da Tortura.

A cerimônia, promovida pelo Grupo Tortura Nunca Mais no Rio de Janeiro, relembra uma das páginas mais dolorosas da história do país: os 16 militantes desaparecidos durante a ditadura militar e encontrados em uma vala clandestina no Cemitério de Ricardo de Albuquerque, na zona norte do Rio.

No mesmo local, também foram localizados os restos mortais de cerca de 2 mil brasileiros não identificados, sepultados como indigentes entre os anos de 1970 e 1974.

A descoberta da vala foi resultado de uma investigação conduzida pelo Grupo Tortura Nunca Mais. O trabalho começou em maio de 1991, com pesquisas realizadas no Instituto Médico Legal (IML), no Instituto de Criminalística Carlos Éboli e na Santa Casa de Misericórdia.

Duas décadas depois, em 2011, foi inaugurado no cemitério um memorial que preserva a memória das vítimas, abriga as ossadas retiradas do local e mantém viva a lembrança dos fatos ocorridos durante o período da repressão.

“Para que não mais se repita”

Segundo os organizadores, a homenagem também busca reforçar a importância da defesa dos direitos humanos e alertar para a necessidade de combater práticas de prisão arbitrária, tortura e desaparecimento forçado, que ainda representam desafios para a sociedade brasileira.

A professora e fundadora do Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro, Victória Grabois, carrega uma história marcada pela violência da ditadura militar. Em 1973, ela perdeu o pai, Maurício Grabois, o irmão, André Grabois, e o marido, Gilberto Olímpio. Os três foram mortos por agentes do Estado na região da Serra do Araguaia.

Mesmo sem respostas sobre o que aconteceu, Victória afirma que a busca pela verdade continua sendo necessária para combater o silêncio imposto sobre os crimes cometidos naquele período da história brasileira.

“É um sofrimento geracional, que passa para os filhos e até para os netos. Até meus netos hoje têm esse problema. Meu filho mais novo sempre dizia: ‘aqui nessa casa só se fala de desaparecido político’. É uma luta que atinge a todos nós, a família, de várias gerações. É muito duro, difícil, mas a gente está na luta para que não mais aconteça, não mais se repita”.

Entre os militantes homenageados no Memorial estão Ramires Maranhão do Vale, Vitorino Moitinho, Ranúsia Alves Rodrigues e Felix Escobar Sobrinho.
 




Fonte GDF