Por política e dinheiro, Infantino repaginará The Best – 31/12/2025 – O Mundo É uma Bola
Não gosto de política no futebol. Sei da sua existência e da sua importância na definição dos rumos do esporte, seja no cenário macro, global, seja no contexto menor, por exemplo, em um clube.
Por que não gosto? Porque acho chato. E, achando chato, não tenho grande interesse.
Procuro me manter informado por dever profissional, mas, se pudesse, descartaria todo o noticiário esportivo político e me concentraria apenas no jogo: atletas, treinadores, equipes, campeonatos, arbitragem, torcida –os componentes que fazem o futebol atrair e empolgar.
Evito, driblo, esquivo-me de Fifa, Uefa, Conmebol, CBF e outras entidades diretivas que parecem existir só para atrapalhar e/ou confundir e/ou se envolver em corrupção. Só que tem vez que não dá para fechar os olhos e fingir que não está acontecendo nada.
Ainda mais quando se trata de um assunto que mexe com as pessoas comuns que são apaixonadas pelo ludopédio: você e eu, que, mesmo sem nos conhecermos, de diferente não temos tanto assim.
Caso da premiação dos melhores do mundo realizada a cada ano pela Fifa, que implementou a sua (The Best, “o melhor”) em 2016 para concorrer com a Bola de Ouro, da revista France Football, a quem se aliou por seis anos (prêmio unificado) e depois se separou.
Nesta terça (30), ao abrir a caixa de e-mails, deparei-me com um comunicado da Fifa que anunciava a criação de uma nova cerimônia anual, em parceria com Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, para premiar os melhores do futebol.
Como assim? E a que já existe e criou fama? The Best, 10, o que será dela? Não há esclarecimento, e nem gente com trânsito na entidade máxima da bola conseguiu elucidar meu questionamento.
A gestão do suíço-italiano Gianni Infantino tem notabilizado-se por criar confusões e gerar polêmicas, enfatizando os ganhos políticos e econômicos sem se preocupar com o prejuízo esportivo de seus atos.
Primeiro, o absurdo de equivaler em importância o novo Mundial de Clubes (que eu chamo de Supermundial), com 32 times, à nova Copa Intercontinental, com meia dúzia. Para Infantino, o vencedor de cada um é campeão mundial, sem diferença de peso. Vá fazer média lá longe.
Segundo, o absurdo de, no sorteio da Copa do Mundo de seleções, que será em 2026 nos EUA, no Canadá e no México, inventar uma comenda (Prêmio da Paz) para unicamente adular Donald Trump, o presidente mais influente do mundo da nação economicamente mais poderosa do mundo. Puxa-saquismo descarado.
Terceiro, o tiro na premiação The Best, que, se não morrer para nascer algum nome que agrade aos anfitriões emiratenses, será repaginada, reformulada, remodelada. Mas duvido que a marca se sustente. Restou o pior para ela. Lamento, porque vinha bem, tinha pegado.
O interesse de Infantino agora é vestir de novo algo velho, acrescentando alguma novidade bobageira (talvez um troféu para “o melhor jogador médio-oriental”) com o exclusivo intuito de fazer sorrir os donos da bufunfa. Para ele, a desgastada Europa é presente virando passado, o pujante Oriente Médio é presente se tornando futuro.
Critico Infantino pelos meus motivos, porém reconheço que ele é esperto. Tudo o que faz é política e economicamente planejado, pensando sempre em se reeleger para mais um mandato, em 2027.
Para isso, aproxima-se de quem lhe pode oferecer logística avançada, infraestrutura moderna, generosa visibilidade midiática, amplitude nas relações comerciais. Tudo com muito luxo e glamour, para ele e para quem está com ele. No cômputo geral, agradará a quem interessa, e quem interessa lhe dará apoio (votos).
Em sua megalomania e personalismo, Infantino esquece-se de que o ambiente de fartura financeira no futebol é exceção, é para poucos. Fora de alguns grandes centros, ele é pobre, desestruturado, precário, com crianças e adolescentes jogando de pé descalço na terra e no asfalto.
Esse novo evento portentoso anual em Dubai, jogado para a imprensa sem formatação esportiva alguma, não poderia ser antítese maior ao futebol visto como um todo.
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