Polícia apreende último suspeito de estupro coletivo em São Paulo
A Polícia Civil de São Paulo apreendeu, nesta segunda-feira (4), o quinto e último envolvido no estupro coletivo de dois meninos, de 7 e 10 anos, no fim de abril, na zona leste da capital.
O suspeito é um adolescente de 15 anos, que estava foragido. Ele foi apreendido no bairro Ermelino Matarazzo e levado ao Distrito Policial da Vila Jacuí, acompanhado da mãe. O jovem será encaminhado à Fundação Casa.
Outros três adolescentes, entre 14 e 16 anos, já haviam sido apreendidos. Além deles, um adulto de 21 anos foi preso temporariamente em Jequié, na Bahia, e aguarda transferência para São Paulo.
O caso começou a ser investigado em 24 de abril, a partir da denúncia da irmã de uma das vítimas. A apuração teve início com imagens divulgadas nas redes sociais, como explicou o delegado titular Júlio Geraldo.
“A ocorrência chegou por uma irmã da vítima que não trouxe sequer o local onde haviam ocorrido os fatos. Foi necessário reconstruir toda a situação. Nós tivemos que chegar ao local, periciar o local, encontrar os familiares da vítima, cuidar também da proteção dessas vítimas, porque elas não poderiam ser revitimizadas com uma investigação açodada. Nós estamos envolvendo também adolescentes do outro lado, como autores também há adolescentes e a justiça é muito criteriosa para a concessão de uma medida de internação para um adolescente”.
Segundo a delegada Janaina da Silva, os suspeitos conheciam as vítimas, e as famílias chegaram a ser pressionadas a não denunciar.
“Pela comunidade, eles queriam resolver lá entre eles e não queria que a polícia tomasse conhecimento. Embora na internet estava sendo divulgado os vídeos, a família não havia registrado o boletim. Então, os investigadores conseguiram sair, localizaram as famílias, as vítimas, eles foram encaminhados para exame e na sequência foi a identificação dos envolvidos”.
A delegada explicou como as crianças foram atraídas.
“Eles eram vizinhos, eles conviviam e as crianças tinham confiança neles. Eles foram atraídos para esse imóvel, porque eles passaram e falaram: ‘Vamos soltar pipa, ah entra aqui que tem uma linha’. Um dos adolescentes falou que inicialmente era uma brincadeira que acabou escalando, mas a iniciativa de gravar os vídeos foi do maior, foi ele quem começou, segundo eles, as brincadeiras e ele começou a gravar no próprio celular, depois ele pediu para que o outro menor gravasse”.
A Polícia agora investiga a divulgação dos vídeos nas redes sociais, além de ameaças aos familiares das vítimas. Os agentes buscam esclarecer todos os fatos e responsabilizar os envolvidos.