Pilotos não andam no limite, reclama chefe da Williams – 30/04/2026 – Esporte
Fazer o gerenciamento constante da parte elétrica da unidade de potência, poupar pneus e equilibrar a carga aerodinâmica ideal virou uma espécie de malabarismo que o novo regulamento da F1 impôs aos pilotos nesta temporada. Na prática, o excesso de variáveis tem afastado os carros do limite e contribuído para corridas mais controladas do que disputadas.
“Queremos que os pilotos estejam acelerando ao máximo, especialmente na classificação, e isso não está acontecendo”, afirmou à Folha James Vowles, chefe da Williams.
Para o britânico, após os três GPs que marcaram o início da temporada —Austrália, China e Japão —, é possível destacar avanços importantes, especialmente na qualidade das corridas, mas também falhas que exigem ajustes imediatos.
“É bom ver que agora temos corridas de verdade. As três primeiras provas foram realmente muito boas. Se olharmos para o ano passado, no final da temporada, todos estavam apenas seguindo uns aos outros com desempenho muito próximo”, explica Vowles.
Neste ano, a parte elétrica passou a responder por cerca de 50% da potência total dos motores híbridos, enquanto o restante continua vindo da combustão. A nova configuração obriga os pilotos a adotarem diferentes estratégias ao longo da volta para recarregar as baterias. Quando a carga elétrica se aproxima do fim, o carro perde bastante potência e velocidade.
“As regulamentações aerodinâmicas estão permitindo que os carros estejam mais perto do que antes, e a forma como estamos otimizando a energia elétrica está permitindo ultrapassagens. Elas não são ultrapassagens fáceis, são um pouco imprevisíveis, mas geram boas disputas”, disse o chefe da Williams.
Ao longo das primeiras etapas do calendário, foi comum assistir a ultrapassagens “iôiô”, onde os pilotos se revezaram em trocas constantes de posição, ocasionadas pela variação de carga nas baterias.
Max Verstappen, tetracampeão mundial, descreveu os carros de F1 de 2026 como “FE com esteroides”. Lando Norris, atual campeão, também reprovou o novo regulamento e disse que o monoposto foi de “melhor da história” ao “provável pior”.
O principal problema identificado está no sistema de energia. Em alguns momentos, especialmente nas retas, os pilotos precisam reduzir a velocidade para recarregar a energia elétrica, o que compromete o desempenho e a lógica da pilotagem.
“Algumas ultrapassagens podem ser artificiais, mas não todas. Manobras como ultrapassar por fora na curva de número um em Xangai são reais e exigem habilidade. Já ultrapassagens fáceis em reta não são o ideal. Queremos manter o equilíbrio: carros próximos, mas ultrapassagens que exijam coragem e habilidade”, afirma Vowles.
A FIA (Federação Internacional de Automobilismo) divulgou alterações no regulamento da F1 em 2026 na última segunda (20). As mudanças estão divididas em quatro pontos: largadas, classificações, segurança durante as corridas e disputas na chuva
De acordo com Vowles, F1, FIA e equipes discutiram cerca de 55 propostas diferentes em reuniões nos dias 15, 16 e 20 deste mês. O objetivo é encontrar soluções ainda nesta temporada, sem esperar ciclos longos de mudança.
Entre as alternativas analisadas estão a redução da potência elétrica, o aumento da potência do motor a combustão ou um novo equilíbrio entre os dois sistemas. Todas buscam resolver o mesmo problema, ao evitar que os carros precisem desacelerar em momentos em que deveriam estar no máximo.
Para ele, o sistema se tornou excessivamente complicado, a ponto de nem sempre ser compreendido pelos próprios pilotos. A ideia é tornar o comportamento do carro mais direto: quando o piloto exigir, o carro deve entregar bom desempenho.
Segundo a FIA, foram adotadas mudanças para evitar que um carro se aproxime rápido demais de outro, o que pode causar acidentes, e para impedir diferenças bruscas de desempenho entre os veículos. Além disso, o uso de potência extra foi limitado para manter a disputa mais equilibrada.
Também foram implementadas melhorias voltadas à segurança em pista molhada para aumentar a visibilidade dos pilotos nessas condições. Um novo sistema foi desenvolvido para reduzir o risco de colisões quando um carro larga mais devagar e outro vem logo atrás em maior velocidade —ele será testado em Miami e adotado oficialmente somente após análises técnicas.
“Precisamos encontrar uma solução que funcione em todos os circuitos, não apenas em um”, afirma Vowles.
A próxima etapa da temporada acontece em Miami, nos Estados Unidos. A programação inclui uma corrida sprint –prova mais curta disputada no sábado (2), às 13h (de Brasília)–, além do Grande Prêmio, domingo (3), às 17h (de Brasília). O campeonato segue com provas no Canadá, nos dias 23 e 24 de maio. No total, há 22 corridas previstas neste ano.