Pessoas vivem mais, mas não necessariamente com saúde, aponta estudo


As pessoas estão vivendo mais. No entanto, esse tempo extra de vida nem sempre vem com saúde. Um novo relatório internacional mostra que a geração atual convive, cada vez mais, com várias doenças ao mesmo tempo. O estudo foi divulgado nesta quarta-feira (15) pela OCDE, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

O documento aponta uma mudança silenciosa na saúde da população: cresceram as doenças não transmissíveis, as chamadas DNTs, aquelas que não passam de pessoa para pessoa. Entre elas estão problemas no coração, câncer, diabetes e doenças respiratórias.

Segundo a OCDE, essas doenças estão mais presentes do que nas gerações anteriores. Por exemplo, entre 1990 e 2023, a prevalência de doença pulmonar obstrutiva crônica aumentou 49%. A elevação de casos diagnosticados afeta a qualidade de vida das pessoas e aumenta o impacto econômico para trabalhadores, empresas e para os sistemas de saúde.

O estudo destaca também o avanço das DCNTs, as doenças crônicas não transmissíveis. Esse é um grupo específico das doenças não transmissíveis marcado pela longa duração e pela necessidade de acompanhamento contínuo.

Fatores principais

A OCDE aponta três fatores principais para esse aumento. O primeiro é o crescimento da obesidade, que prejudicou avanços feitos na redução do tabagismo e da poluição do ar, por exemplo. O segundo é um efeito positivo da saúde pública: as pessoas sobrevivem mais e, por isso, vivem mais tempo com doenças crônicas. E o terceiro é o próprio envelhecimento da população, o que significa mais pessoas atingindo as faixas etárias em que as DCNTs são mais comuns.

Multimorbidade

De acordo com o estudo, novos casos dessas doenças devem crescer 31% entre 2026 e 2050, apenas por causa do envelhecimento populacional. O resultado desse cenário na União Europeia, por exemplo, é um aumento de 70% na prevalência de multimorbidade. Ou seja, mais pessoas vivendo com duas, três ou mais doenças crônicas ao mesmo tempo. Segundo a pesquisa, isso pode aumentar em 50% as despesas anuais em saúde por pessoa na região.

Para os pesquisadores, investir em prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado pode reduzir impactos sociais, econômicos e sobre os sistemas de saúde.




Fonte GDF