Para eles, Intercontinental é como Mundial; para elas, não – 26/01/2026 – O Mundo É uma Bola


Com a participação do Corinthians, os próximos dias definirão o time feminino que pela primeira vez, com a chancela da Fifa, conquistará um troféu em âmbito planetário.

A entidade máxima do futebol fará na Inglaterra, a partir de quarta-feira (28), a fase decisiva da sua primeira Copa dos Campeões feminina de clubes. Além das Brabas (apelido das corintianas), estão na briga o inglês Arsenal, o norte-americano Gotham e o marroquino As Far.

Esse campeonato é um dos investimentos que a Fifa faz para dar maior promoção e visibilidade ao futebol jogado por elas. Só que a federação comandada por Gianni Infantino não dará a esse campeonato o mesmo peso que o similar masculino tem.

A Copa dos Campeões é competição muito parecida com a atual Copa Intercontinental masculina, aquela em que o Flamengo caiu na decisão diante do Paris Saint-Germain.

Participam os vencedores dos principais interclubes de cada confederação (Uefa/Europa, Conmebol/América do Sul, AFC/Ásia, CAF/África, OFC/Oceania e Concacaf/Américas do Norte e Central), com uma fase preliminar e uma fase final.

A maior diferença é o benefício dado no masculino à equipe europeia, colocada diretamente no jogo final –as outras que se matem antes até restar uma. No feminino, o time europeu não tem tamanho privilégio e disputa uma das semifinais.

Antes das partidas que decidem os finalistas, a Copa dos Campeões realizou outras duas, uma em outubro, na China –Wuhan Jiangda (China) 1 x 0 Auckland United (Nova Zelândia)–, outra em dezembro, em Marrocos –As Far 2 x 1 Wuhan.

As semifinais serão Corinthians x Gotham e Arsenal x As Far. Vencedores duelam na final, no domingo (1º de fevereiro), perdedores se enfrentam pelo terceiro lugar, no mesmo dia. Tudo em Londres. Na Copa Intercontinental, atualmente não se tem partida pelo bronze.

As distinções sutis permitiriam à Fifa batizar o torneio feminino também de Copa Intercontinental, afinal, o objetivo é reunir, em poucos jogos, os campeões continentais e oferecer ao melhor um troféu. Não quis.

Nomes à parte, é neste ponto que surge a maior desigualdade entre o masculino e o feminino. Para a Fifa, quem ganha a Copa Intercontinental é campeão mundial. E quem vencer a Copa dos Campeões não terá esse status. Homens acima das mulheres.

Em síntese, as Brabas, caso cheguem à decisão e superem Arsenal ou As Far, não poderão se proclamar, oficialmente, campeãs do mundo. Por quê? Porque Infantino e sua trupe querem que o campeão mundial seja somente o ganhador do primeiro Mundial de Clubes feminino, previsto para 2028, com 16 participantes.

Até aí, faria sentido, devido à dimensão de cada competição, porém desde que houvesse paridade com o masculino. Não há.

Beira a insensatez o que a Fifa faz. Ao mesmo tempo em que o masculino tem dois campeões mundiais simultâneos –o Chelsea, ganhador do novo Mundial, com 32 clubes, encerrado em julho, e o PSG, vencedor da Copa Intercontinental, finalizada em dezembro–, o feminino não terá nenhum.

Dá para mudar isso, simplificar. Tem dois jeitos.

1) Batizar o Mundial com 32 times, idealizado para ocorrer a cada quatro anos, de Supermundial. Institui-se um supercampeão mundial, e quem ganha a Intercontinental é campeão mundial.

2) Rebaixar os ganhadores dos torneios menores até hoje realizados, chamando-os (inclusive os que venceram em formatos anteriores, desde 1960) de campeões intercontinentais, e o Chelsea torna-se o único campeão mundial.

Politicamente, entretanto, não interessa para a Fifa, então vivemos esse samba do crioulo doido.

Quanto ao feminino, como fica? Como se referir ao campeão da Copa dos Campeões? Para a Fifa, assim mesmo: campeão da Copa dos Campeões.

Para mim, é pouco para uma conquista valiosíssima. Como “campeão mundial” é oficialmente desaconselhável, será “campeão global”. É sonoro e transmite relevância. Resolve. Encampe quem quiser.


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