Oscar da ecologia vai para proteção da mata atlântica – 01/07/2026 – É Logo Ali
A mata atlântica, bioma mais maltratado desde os tempos em que os primeiros colonizadores baixaram por aqui, ocupa hoje 3 milhões de hectares ao longo dos estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina e abriga 70% da população brasileira, algo em torno de 145 milhões de almas que nem sempre valorizam a riqueza natural da região. E é para tentar reverter os maus tratos seculares que um grupo de empresários, gestores municipais e ambientalistas criou, há oito anos, o projeto GRMA (Grande Reserva Mata Atlântica), que acaba de ganhar o prêmio Hugo Werneck, considerado o Oscar da ecologia nacional.
Ressaltando não se tratar de uma empresa, “mas de um movimento”, Ricardo Borges, coordenador de comunicação e parcerias estratégicas da GRMA, aponta para o fato de que “o bioma, que é a segunda maior floresta tropical das Américas, atrás apenas da amazônia, é onde boa parte da economia brasileira está”.
Isso, acrescenta, faz com que “a boa preservação da mata atlântica proteja os serviços ecossistêmicos como água, polinizadores, e a maior parte do que a gente precisa para viver com qualidade”.
O projeto, explica ele, nasceu com o objetivo de “tentar propor uma solução para alguns dos desafios mais amplos que temos hoje na sociedade”. Entre esses desafios, ele destaca convencer o brasileiro a valorizar mais “seu gigantesco patrimônio natural, que hoje infelizmente ainda não se reverte como um ativo que gere oportunidades de desenvolvimento para as pessoas”.
Um dos pontos que o projeto enfatiza é a importância de se eliminar “a falsa dicotomia entre o que é a importância de preservar e o desenvolvimento, como se fossem coisas antagônicas”.
A atuação da GRMA parte da criação de uma rede colaborativa e horizontal, a Rede de Portais, que nasceu em 2018, e reúne comunidades, organizações e empreendedores em torno de pautas convergentes e positivas, sem custos para os envolvidos e com governança inspirada no impacto coletivo. O objetivo final é transformar o território em destino de turismo de natureza e gerar oportunidades de desenvolvimento sustentável.
“A ideia é compartilhar boas histórias e bons exemplos de como a economia restaurativa pode gerar inúmeras oportunidades”, define Borges. “A rede nasceu com o objetivo de identificar o território que é o maior remanescente de mata atlântica e dar a ele um nome, uma cara e uma identidade com a qual as pessoas pudessem se conectar e se enxergar ali dentro, enxergar que aquilo era parte delas”, acrescenta.
“O mantra, na rede, é tratar apenas das pautas positivas que nos unem e fortalecem, com uma noção muitíssimo clara de que a gente não consegue gerar transformação em escala, muito menos na escala de que a gente precisa, trabalhando sozinho, com uma única instituição ou empresa”, define Borges.
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.