Os socos no ar de Messi, à Pelé, na Copa do Mundo – 09/07/2026 – O Mundo É uma Bola


A Copa do Mundo tem sido repleta de imagens marcantes: a remada viking dos nossos algozes, os noruegueses, em sintonia com a torcida nos estádios após cada triunfo; o treinador argentino do Equador, Sebastián Beccacece, nos braços da família, nas arquibancadas, depois da vitória contra a Alemanha; todo jogo, as seleções perfiladas frente a frente, titulares mais reservas, para ouvir/cantar o hino nacional.

A que eu levarei desta Copa é a comemoração de Lionel Messi, esse ET do futebol, do gol marcado no Egito, no NGR Stadium, em Houston.

Em jogo no qual os atuais campeões mundiais sofriam diante de Mo Salah e companhia faraônica, Messi, depois de dar a assistência, com um cruzamento, para Cuti Romero diminuir para 2 a 1, empatou a partida, aos 38 minutos do segundo tempo, com um chute na grande área no qual a bola resvalou no goleiro e no travessão antes de entrar. Plasticamente, muito bonito.

Messi partiu eufórico, na celebração, na direção da bandeirinha de escanteio. Seguido por companheiros de equipe enlouquecidos, festejou. Punho direito cerrado, saltou uma vez: soco no ar. Saltou outra vez: soco no ar. Na hora, um único nome me veio à mente: Pelé.

O soco no ar, executado por alguns futebolistas após balançarem as redes, é, pelo que se sabe, criação de Edson Arantes do Nascimento, o Rei do Futebol. Uma marca dele.

Surgiu em agosto de 1959, quase 67 anos atrás, na partida entre Juventus e Santos, no acanhado estádio Conde Rodolfo Crespi, na rua Javari, bairro da Mooca, em São Paulo.

Depois de fazer seu mais lindo gol, driblando com chapéus os oponentes, incluindo o goleiro Mão de Onça, Pelé, com raiva –pois estava sendo apupado insistentemente pelos fãs juventinos–, festejou esmurrando o ar, diante da torcida inimiga.

Nunca tinha visto Messi comemorar assim, à Pelé. São mais de 900 gols na carreira, por clubes e pela seleção (21 deles em Copas do Mundo, 8 neste Mundial), então não posso assegurar que foi inédito. Dois socos no ar, saltando ao executá-los, asseguro que é inédito em Copa.

Foi proposital o que Messi fez, uma homenagem ao Rei? Ninguém fez essa pergunta ao supercraque argentino depois da partida, vencida por 3 a 2. Faltou. Era relevante? Dá para viver sem, mas eu gostaria de saber.

O provável é que não tenha sido planejado, e sim algo que “saiu de dentro”, explodiu em momento de intensa emoção. Alívio, extravasamento da tensão, sensação de superação em um confronto dramático.

Eu gostaria que Messi tivesse comentado, que respondesse a esta indagação: “Você sabe que comemorou como fazia Pelé?”. E a esta: “Você se considera melhor que Pelé? Sim ou não?”. O argentino em outras ocasiões esquivou-se de dar resposta.

A comparação de Messi, 39, com Pelé, morto em 2022 aos 82, é recorrente. Quem jogou mais? As novas gerações têm o seu escolhido; as antigas, também.

Paulo Vinicius Coelho, o PVC, costuma frisar que, sempre que se procura eleger o Goat (Greatest of all time), o melhor da história, a comparação é com Pelé. Argumento incontestável.

Messi já passou Maradona, escrevi isso ao término da Copa no Qatar. Passar Pelé? Será que dá?

Por ora, ficamos assim: Messi celebrou à Pelé. Não haverá alguém, já que ele não tem um gesto original, celebrando à Messi.


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