O futebol não é só estratégia, é um teatro de emoções – 31/01/2026 – Tostão


No Brasileirão, as incertezas e as variações nas atuações e nos resultados são frequentes, ainda mais em um campeonato com poucas diferenças técnicas entre muitas equipes. Na primeira rodada, os três mais bem colocados do ano passado não venceram. O Palmeiras empatou, e o Cruzeiro e o Flamengo perderam.

Como Paquetá atua geralmente em uma posição próxima à de Arrascaeta, Filipe Luís pode escalá-lo do lado para o meio, como joga Carrascal, ou colocá-lo na posição de meio-campista centralizado, ao lado e perto de Jorginho.

O Palmeiras, no empate com o Atlético MG, utilizou, como faz sempre, com bons resultados, as bolas cruzadas na área e os lançamentos longos da defesa para o ataque. Porém Abel deveria alternar essa postura com a de ter mais o domínio da bola e trocar mais passes para envolver o adversário. Para isso, ele tem dois ótimos meio-campistas, Marlon Freitas e Andreas Pereira.

Como em todo o mundo, está cada dia mais difícil trocar passes no meio-campo devido à marcação por pressão. Os times têm usado muito os lançamentos longos da defesa para o ataque, que podem dar bons resultados desde que essa não seja a principal estratégia. Assim saiu o gol de empate do Palmeiras marcado por Vitor Roque contra o Galo.

O Cruzeiro, na goleada sofrida para Botafogo por 4 a 0, repetiu a estratégia usada na derrota para o Atlético Mineiro, de marcar por setor sem pressionar quem está com a bola. No comando de Leonardo Jardim, a equipe pressionava demais, jogava com mais intensidade e recuperava mais rapidamente a bola para chegar ao gol.

No São Paulo, mais tranquilo com a vitória sobre o Flamengo, Crespo deveria posicionar Marcos Antônio para atuar de uma intermediária à outra, pois tem habilidade, mobilidade e talento para marcar, construir e avançar, em vez de escalá-lo como meia ofensivo, entre o meio-campo e a defesa do adversário.

O futebol brasileiro, com a prevista profissionalização dos árbitros, a esperada melhoria dos gramados, a contratação de bons treinadores e jogadores de outros países sul-americanos, até da Europa, como Paquetá, deve evoluir nos próximos anos. Para isso, é fundamental acabar com o enorme tumulto promovido pelos jogadores durante as partidas, algumas vezes com mau exemplo dos treinadores. Todos nós da crônica esportiva precisamos também melhorar.

Jornalistas de outras áreas, escritores e poetas que gostam de futebol poderiam escrever e falar mais sobre o assunto, como era mais frequente no passado. Eles, por escrever, falar muito bem e não ter os vícios, os clichês e o futebolês, enriqueceriam a crônica esportiva, mesmo que não conhecessem bem os detalhes técnicos e táticos. O futebol não é só estratégia. É também um teatro de ensinamentos, entretenimento e de emoções.

Mestre Armando Nogueira, jornalista, escritor e poeta, com quem convivi e aprendi na TV Bandeirantes, dizia que assistia aos jogos no Maracanã ao lado de Nelson Rodrigues. Quando acabava a partida, Nelson o segurava pelo braço e perguntava: “Como foi o jogo? Quem foi o craque?”. Nelson ia para a redação do jornal e, com seus delirantes e espetaculares exageros e metáforas, escrevia os mais belos e prazerosos textos que li sobre futebol.


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