Nutricionista diz como diferenciar ultraprocessados e industrializados
Apesar dos nomes semelhantes, você sabe o que diferencia um alimento industrializado de um ultraprocessado? Pode ser complicado diferenciar no mercado, mas os dois produtos não são equivalentes.
Enquanto produtos industrializados podem manter grande parte de suas características naturais, os ultraprocessados passam por múltiplas etapas de processamento e contêm diversos aditivos, alterando sabor, textura e durabilidade, mas reduzindo nutrientes essenciais. Reconhecer essas diferenças é essencial para fazer escolhas mais saudáveis no dia a dia.
Segundo a nutricionista Andressa Rocha, da Clínica Aniella, em Curitiba, alimentos industrializados ou processados passam por algum tipo de alteração industrial, mas ainda mantêm características do alimento original, como o milho em conserva, feijão enlatado ou atum.
Já os ultraprocessados são formulações industriais com múltiplas etapas, ingredientes artificiais e pouca presença de comida de verdade, como biscoitos recheados, refrigerantes e salgadinhos.
A nutricionista Jaqueline Reis, do Hospital da Bahia, em Salvador, explica que o ultraprocessamento inclui ingredientes que mudam sabor, textura e durabilidade, enquanto alimentos minimamente processados ou processados mantêm a essência natural, mesmo com pequenas alterações, como pães simples, queijos e legumes lavados.
Nem todo alimento industrializado é ultraprocessado
É comum confundir os dois tipos de alimentos, mas nem todo produto industrializado é ultraprocessado. Andressa ressalta que alimentos industrializados podem ser minimamente processados, processados ou ultraprocessados, dependendo do número de etapas e aditivos envolvidos.
Para Jaqueline, a distinção é fundamental: alimentos ultraprocessados contêm muitos aditivos, são altamente palatáveis e nutricionalmente desbalanceados, enquanto industrializados mais simples preservam características naturais e podem integrar uma dieta equilibrada com moderação.
Como identificar ultraprocessados nos rótulos
Uma das estratégias mais eficazes é observar a lista de ingredientes. Produtos com listas extensas, nomes complexos e aditivos como aromatizantes, conservantes, corantes ou xarope de glicose indicam alto grau de ultraprocessamento.
Andressa recomenda atenção especial aos primeiros ingredientes: se forem açúcar, gordura ou farinha refinada, o alimento é pobre em nutrientes. Comparar rótulos, como entre iogurte natural (leite e fermento) e iogurte saborizado com corantes e aromatizantes, ajuda na escolha de produtos mais saudáveis.
O consumo frequente de ultraprocessados está ligado à obesidade, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, inflamações e alterações intestinais. Jaqueline alerta que a baixa qualidade nutricional desses produtos também reduz fibras, vitaminas e minerais, afetando diretamente a saúde e a longevidade.
Priorizar alimentos naturais, raízes, vegetais e leguminosas na maior parte da dieta e reduzir ultraprocessados promove bem-estar, melhora a qualidade de vida e ajuda a prevenir doenças crônicas.