Novas regras da Copa do Mundo levam VAR a trocar cartões – 13/07/2026 – Esporte
A Copa do Mundo de 2026 tem servido de laboratório para novas regras aprovadas peloa Ifab (International Football Association Board), órgão responsável pelas leis do futebol.
Entre elas estão a possibilidade de o VAR (árbitro assistente de vídeo) corrigir cartões aplicados ao jogador errado, o chamado protocolo Vini Jr. e a anulação de gols por infrações cometidas antes de a bola entrar em jogo em cobranças de escanteio e falta.
As mudanças já tiveram impacto direto em partidas do Mundial disputado nos EUA, no México e no Canadá.
CORREÇÃO DE CARTÕES
O caso mais recente ocorreu nas quartas de final entre Suíça e Argentina. Logo após o empate suíço, o centroavante Breel Embolo fintou o volante Leandro Paredes e simulou ter sido atingido por um chute.
O árbitro português João Pinheiro mostrou inicialmente cartão amarelo a Paredes. Chamado pelo VAR para corrigir um erro de identificação, retirou a advertência do argentino e aplicou o cartão a Embolo por simulação.
Como o atacante suíço já havia sido advertido na partida com um cartão, recebeu o segundo amarelo e foi expulso.
Com um jogador a mais, a Argentina passou a controlar a partida e marcou duas vezes na prorrogação para vencer por 3 a 1 e avançar às semifinais.
A regra estabelece que, quando o árbitro aplica um cartão amarelo ou vermelho ao jogador errado, o VAR pode intervir para corrigir a identificação do infrator.
A novidade já havia sido utilizada na fase de grupos, na vitória dos Estados Unidos por 4 a 1 sobre o Paraguai.
Na ocasião, o árbitro Danny Makkelie advertiu inicialmente o zagueiro Tim Ream por uma suposta falta em Miguel Almirón. Após revisão do VAR, concluiu que o paraguaio havia simulado o contato, retirou o cartão do americano e advertiu Almirón.
PROTOCOLO VINI JR.
Outra novidade deste Mundial é a proibição de cobrir a boca durante discussões em campo.
A medida foi adotada após um episódio envolvendo Vinícius Júnior na Liga dos Campeões. Em fevereiro, o brasileiro acusou o argentino Gianluca Prestianni, do Benfica, de fazer ofensas racistas escondendo a boca durante a discussão. O jogador acabou suspenso por seis partidas por conduta discriminatória.
O protocolo criado pelo Ifab permite que o VAR intervenha quando houver suspeita desse tipo de conduta.
A regra já foi aplicada duas vezes na Copa de 2026.
Na partida entre Paraguai e Turquia, na fase de grupos, o paraguaio Almirón foi expulso aos 47 minutos do primeiro tempo por cobrir a boca durante uma discussão com o lateral turco Mert Müldür. Após ser alertado, o árbitro Iván Barton revisou o lance no monitor e aplicou o cartão vermelho.
Situação semelhante ocorreu na vitória do México por 2 a 0 sobre o Equador, pela fase de 32 seleções. Aos 49 minutos do segundo tempo, o lateral equatoriano Piero Hincapié cobriu a boca durante uma discussão com Santiago Giménez. O árbitro Slavko Vincic foi chamado ao VAR e expulsou o defensor.
GOL ANULADO ANTES DE A BOLA ENTRAR EM JOGO
Outra regra inédita apareceu nas quartas de final entre Noruega e Inglaterra.
Aos nove minutos do segundo tempo, após cobrança de escanteio, o zagueiro Heggem aproveitou rebote do goleiro Jordan Pickford e marcou para os noruegueses.
O árbitro francês Clément Turpin, porém, foi chamado pelo VAR para revisar um empurrão de Erling Haaland sobre Elliot Anderson antes de a bola entrar em jogo na cobrança do escanteio. Após assistir ao lance no monitor, Turpin anulou o gol e determinou a repetição da cobrança.
A nova regra estabelece que, se uma infração clara cometida pela equipe atacante antes de a bola entrar em jogo em cobranças de escanteio ou falta tiver impacto direto em um gol ou pênalti, o VAR poderá recomendar a revisão. Confirmada a infração, o árbitro manda repetir a cobrança.
Antes da mudança, como a bola ainda não estava em jogo, o gol seria validado.
A Inglaterra venceu por 2 a 1 na prorrogação, com dois gols de Jude Bellingham, e garantiu vaga nas semifinais da Copa do Mundo.