Na Espanha, Lula critica falta de ação do Conselho de Segurança da ONU
O presidente Lula criticou o Conselho de Segurança da ONU em seu discurso no 4º Fórum em Defesa da Democracia, neste sábado (18), em Barcelona, na Espanha. Ele disse que o Conselho de Segurança da ONU e os países que o integram não podem ser os ‘senhores da guerra’ e cobrou uma reação mais firme em busca da paz. Sem citar diretamente o presidente norte-americano Donald Trump, Lula falou:
“Nenhum presidente de nenhum país do mundo, por maior que seja, tem o direito de ficar impondo regras a outros países. Nenhum. E os cinco membros do Conselho de Segurança da ONU devem se reunir para mudar o seu comportamento. Nós não podemos levantar todo dia de manhã e dormir todo dia à noite, sabe, com um Twitter de um presidente da República ameaçando o mundo, fazendo guerra. Ou seja, e todos eles tomam decisões sem consultar a ONU, da qual eles são membros e fazem parte do Conselho”, falou.
Lula também condenou o gasto mundial com guerras em detrimento do combate à fome:
“O que não pode é o mundo gastando US$ 2,7 trilhões em armas e o povo passando fome. O que não pode é a gente falando em descarbonização do planeta Terra e os senhores soltando bomba todo santo dia em tudo quanto é país. O que não pode é o Líbano ser vítima de cada guerra que Israel faz com alguém, sabe, o último tiro tem que ser no Líbano. Ou seja, onde é que nós vamos tomar decisões? Onde é que nós vamos parar?”, disse.
O líder brasileiro falou também sobre soberania entre os países, ressaltando que uma nação não pode interferir nas eleições e demais assuntos internos de um outro estado. Sobre extremismo aqui no Brasil, Lula completou:
“No meu Brasil, nós acabamos de derrotar o extremismo. Nós temos um ex-presidente preso, condenado a 27 anos de cadeia. Nós temos quatro generais de quatro estrelas presos porque tentaram dar um golpe. Mas o extremismo não acabou. Ele continua vivo e vai disputar eleição outra vez. Mas este é um problema nosso, é um problema do povo brasileiro. Este a gente lida com as nossas forças e com as nossas armas lá dentro”, completou.
O presidente continua na Espanha ainda neste sábado, participa do encerramento da primeira reunião da mobilização progressista global. Em seguida, vai para a Alemanha e para Portugal.