Na Copa do Mundo inchada, 3 é bom, 4 é ótimo, e 5 resolve – 08/12/2025 – O Mundo É uma Bola
‘Quatrou’, passou.
Belo título para uma coluna, e era o que eu gostaria de ter publicado. Pois tudo indica que na Copa do Mundo da América do Norte (EUA, Canadá e México são as sedes), a partir de junho de 2026, quatro será o número mágico de pontos, o que resolve, o que classifica.
Explicarei, depois de repassar o funcionamento da Copa, o motivo de o “quatrou” não ter sido totalmente encampado.
Com 48 seleções participantes (não mais 32), divididas em 12 grupos (não mais 8), o Mundial inchado ampliou o número de vagas para os mata-matas (jogos eliminatórios), que ganharam uma rodada extra antes das oitavas de final.
Até o Qatar-2022, classificavam-se 16, as duas melhores de cada grupo, metade do total. Agora, 32 avançam, dois terços.
Virou meio que moleza, sendo impensável que algum país favorito, conforme a tradição (Argentina, Espanha, Alemanha, Brasil, França, Inglaterra, Uruguai, Holanda), volte para casa cedo.
A facilidade é tamanha que, em texto anterior, após o sorteio realizado em Washington, que colocou Marrocos, Escócia e Haiti à frente do Brasil no Grupo C, meio que cravei que, com 3 pontos (uma vitória, ou três empates), passa-se de fase.
Aí apareceu aquele ditado, “o apressado come cru”. Tinha sido instintivo e, matemático que não sou, pensei: “Será que é isso mesmo?”.
Então recordei-me que, no mês passado, a Copa do Mundo sub-17, disputada no Qatar, com a garotada do Brasil (gostei do centroavante Wenderson Wanderley, o Dell, muito bom jogador) terminando em quarto lugar, também teve 48 seleções.
Uma checada na classificação dos terceiros colocados (8 de 12 passaram, como passarão 8 de 12 na Copa de 2026) trouxe esta conclusão: com 3 pontos, a chance de ir aos mata-matas é enorme, só que não é certeza; com 4 pontos, viria a garantia.
Dos 12 terceiros no sub-17, quatro acumularam 4 pontos: Coreia do Norte, Egito, Paraguai e Uganda. Vaga assegurada para eles. Ainda nessa dúzia, o Qatar (2 pontos) e a Costa Rica (1) rodaram.
Seis somaram 3 pontos, com uma vitória e duas derrotas. Quatro passaram (Marrocos, México, República Tcheca e Tunísia), dois não (Arábia Saudita e Indonésia), devido aos critérios de desempate. O saldo de gols dos indonésios era -5, e aí inviabiliza mesmo.
Assim, tendo uma base empírica, conquistar 3 pontos pode servir, porém o que serve mesmo é conquistar 4.
Mas, e sempre tem um mas, teve um grupo equilibradíssimo, em que os quatro países somaram 4 pontos (Canadá, Chile, França e Uganda). Todos com uma vitória, um empate e uma derrota. Muito difícil de acontecer, mas uma combinação possível.
Um deles não passou, mesmo com 4 pontos acumulados. Foi o Chile, o com pior saldo de gols, -1.
Conclui-se que nesse formato 3 pontos é bom, 4 pontos é ótimo, só que, para não haver resquício de chance de eliminação na fase de grupos, só mesmo “cincando”: uma vitória e dois empates. Cinco pontos. Aí não tem erro.
Vale lembrar que na Copa de 2022, o 4, quase infalível para 2026, serviu para alguns, não para todos.
Com 4 pontos, rumaram para as oitavas de final a Espanha, a Polônia e a Coreia do Sul.
Com a mesma pontuação, sucumbiram na fase de grupos, ficando em terceiro lugar (posição que não servia para se classificar), dois campeões mundiais, Alemanha e Uruguai, mais Bélgica, Equador, México, Camarões e Tunísia.
E 3 pontos, interessantes agora, não serviram para absolutamente ninguém.