Na Copa do Mundo, flexibilidade e rigidez guiam os times – 13/06/2026 – Tostão


No empate por 1×1, resultado justo, Marrocos, coletivamente, foi melhor, mas, o Brasil possui mais excepcionais jogadores.

As chances de gols foram iguais. O Brasil começou a partida com um quarteto pelo centro (Casemiro, Bruno Guimarães, Paquetá e Raphinha), além dos atacantes Vini e Igor Thiago. Durante a partida, houve, progressivamente, várias mudanças individuais e de posicionamento. Vini fez um belíssimo gol, mas errou muitos lances. Faltou, principalmente, mais talento no meio-campo, troca de passes e domínio da bola e do jogo. Igor Thiago foi mal, sendo substituído.

Ancelotti, coloca o Endrick!

Espanha, Portugal e Argentina, por terem excepcionais meio-campistas e por filosofia, preenchem mais o meio-campo, têm mais domínio da bola e alternam a troca de passes com as jogadas rápidas. Já a França, por ter excelentes atacantes, prioriza a velocidade em direção ao gol. A Alemanha avança com muitos jogadores, porém deixa enormes espaços na defesa. A Inglaterra busca o equilíbrio entre os setores.

A seleção brasileira tem sido criticada por não ter, próximo ao Mundial, uma definição da escalação e da estratégia. A justificativa quase sempre usada é que Ancelotti só teve um ano no cargo. Não vejo isso como problema. Vários grandes times e seleções que ficaram na história foram formados em pouco tempo. Mais importante é unir as características e qualidades dos jogadores do que o tempo.

Zagallo assumiu o comando da seleção de 1970 poucos meses antes da estreia. A escalação e a estratégia foram definidas perto do Mundial, com a troca de um ponta esquerda (Edu) por um terceiro jogador no meio-campo (Rivellino), a escolha do volante Piazza como zagueiro, além da definição de que eu seria o centroavante. A Argentina, dirigida por Scaloni, mudava a equipe a cada partida, tornando-se campeã mundial de 2022.

Cruyff dizia que, na Copa de 1974, a Holanda de Rínus Michels definiu duas semanas antes da estreia a maneira revolucionária de jogar que encantou o mundo.

Diferentemente das outras seleções, Ancelotti, nas últimas semanas, mudou várias vezes a escalação e o posicionamento de alguns jogadores. O técnico não é refém de nenhum dogma, de nenhuma estratégia. Define a maneira de jogar e a escalação de acordo com o momento, a qualidade e as características dos jogadores do time brasileiro e do adversário.

Ancelotti é flexível, capaz de, diante de circunstâncias inesperadas e negativas, tomar decisões corretas. Ele não tem filosofia, sua grande qualidade, o que não significa que não cometa erros.

Assim é a vida. Vivemos de acertos, erros e incertezas. Os treinadores mais vitoriosos são os que fazem as melhores escolhas. Nada é definitivo. “As coisas vão e voltam, a vida nem é da gente” (João Guimarães Rosa).

Festa no Azteca

Ao ver a belíssima festa de abertura do Mundial no estádio Azteca, lembrei-me da final da Copa de 1970, no mesmo local. Depois de muitas comemorações da torcida e dos jogadores dentro de campo, voltamos para o hotel e depois fomos para um jantar promovido pela Fifa. Antes da sobremesa, saí de fininho, peguei uma carona com um mexicano e voltei para o hotel, onde encontrei meus pais. Choramos abraçados. Dormi pouco, pensando em tudo. Estava feliz e aliviado. A vida continuava.

Brito

Meus sentimentos aos familiares de Brito, excelente zagueiro, eleito o atleta com a melhor forma física da Copa de 70 pela Fifa. No México, Brito telefonava para a família e pedia para colocarem o seu cachorro para latir, para ter certeza de que ele estava bem.


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