Música que embalou Michael Jordan na NBA vira hino da Copa – 16/06/2026 – Esporte


A maior Copa do Mundo da história, com três países anfitriões, 48 seleções e 104 confrontos, tem também o maior álbum musical. São 18 canções, com performances de artistas como The Rolling Stones, Shakira, Shaggy e Anitta. Mas nenhuma das faixas chamou tanto a atenção quanto a melodia sem letra que embala as seleções na entrada em campo.

Para a remodelada cerimônia pré-jogo adotada em 2026, a Fifa (Federação Internacional de Futebol) resolveu utilizar como trilha sonora “Sirius”, parte do álbum “Eye in the Sky”, de 1982, da banda britânica The Alan Parsons Project. E boa parte do público logo fez a associação com Michael Jordan e o Chicago Bulls dos anos 90.

“Sirius” é uma obra instrumental de Alan Parsons e Eric Woolfson, um crescendo que já se provou apropriado para o momento em que vai começar um evento esportivo, cercado de expectativa. Foi com essa música que os fãs do Chicago, campeão da NBA (a liga norte-americana de basquete) em 1991, 1992, 1993, 1996, 1997 e 1998, acostumaram-se a receber seu grande craque.

“Cara, quando eu comecei a ouvir, fiquei na dúvida se era isso mesmo”, afirmou o advogado Raphael Moura, 44, que esteve no embate entre Brasil e Marrocos, em East Rutherford, no último sábado (13). “Quando eu vi que era o que eu estava pensando, comecei a arremessar umas bolas imaginárias e botar a língua para fora”, gargalhou o brasileiro, jogador amador de basquete.

Os arremessos certeiros e a língua para fora eram movimentos característicos de Jordan. E era ao som das notas agora repetidas no MetLife Stadium que Michael costumava ser anunciado pela equipe de comunicação do ginásio dos Bulls –inicialmente o Chicago Stadium, depois o United Center.

“Aaaaand now…”, dizia o locutor, em preâmbulo que punha a casa abaixo.

A ideia partiu de Tommy Edwards, que exercia o papel de mestre de cerimônias no Chicago Stadium e também trabalhava como apresentador em uma rádio. Nos anos 80, ele começou a testar canções populares na apresentação dos jogadores, como “Thriller”, sucesso de Michael Jackson. Mas foi com a então pouco conhecida “Sirius” que tudo se encaixou.

A NBA ainda engatinhava como uma indústria de entretenimento. E os eletricistas do Chicago Stadium se irritaram profundamente com a ideia de apagar as luzes para que um holofote fosse apontado na direção do astro enquanto a música tocava. Àquela altura, quando um refletor se desligava, levava minutos para voltar a ser funcional.

Mas deu tudo certo.

“Existiam uma torcida sedenta por um bom time de basquete e um dos atletas mais midiáticos da história. Se nós estivéssemos apresentando alguém que não tivesse o tamanho do Jordan, a coisa não teria ido para a frente. Por causa do Jordan, tudo se tornou especial”, disse Tim Hallam, diretor de relações públicas dos Bulls de 1977 a 2023, no podcast The Ringer, em 2018.

Com o sucesso do Chicago nos anos 90, a ideia se espalhou. “Sirius” passou a ser usada por outros times da NBA, como Utah Jazz e San Antonio Spurs, e também em jogos de futebol americano. Em 2014, no tênis, a França adotou a trilha na tentativa de assegurar o título da Copa Davis –perdeu a final para a Suíça, de Roger Federer.

Donald Trump chegou a utilizar a canção na campanha presidencial de 2016 nos Estados Unidos, apresentando-se como uma espécie de Michael Jordan da administração pública. Após uma queixa formal da família de um dos compositores, Eric Woolfson (1945-2009), foi obrigado a retirar a música do ar.

Na Copa do Mundo de 2026, tudo está bem costurado entre a Fifa e os detentores dos direitos autoriais. Cada um dos 1.248 jogadores da competição pode entrar em campo ao som do que ouvia Michael Jordan a caminho do hexacampeonato da NBA. Só 26 deles têm a chance de também ser hexa.



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