MP de Santa Catarina pede arquivamento do caso Orelha
O cachorro “Orelha”, morto em janeiro deste ano, sofria de grave doença e não esteve junto com adolescentes acusados, no período atribuído a supostas agressões, em Florianópolis. Essa é a conclusão do Ministério Público de Santa Catarina, depois de analisar quase dois mil arquivos, entre laudos e imagens apreendidos.
Com isso, os promotores responsáveis pelo caso pediram, na justiça, o arquivamento do procedimento a respeito das investigações em Praia Brava. As análises foram feitas depois do laudo da polícia científica comprovaram o constatado: o “descompasso temporal” nas imagens confirma que a morte do cão Orelha (que acabou passando por uma eutanásia) está ligada a uma condição grave e preexistente, e não a uma agressão.
Segundo as imagens de câmeras de segurança, o período em que os adolescentes estiveram nas imediações do deck da praia, o cão Orelha estava a seiscentos metros de distância. Também foi identificado que o animal não estava debilitado, mesmo uma hora depois das supostas agressões.
Uma exumação chegou a ser feita no corpo do cachorro. O laudo veterinário não encontrou fraturas nem lesões compatíveis com a ação humana. Segundo o MP, a perícia identificou “sinais de osteomielite, uma infecção óssea grave e crônica”. No crânio, uma “lesão profunda e antiga, provocada pela perda de pelos, descamação e inflamação”.
As versões que sustentaram as acusações contra um grupo de adolescentes surgiram, segundo o MP, de “comentários de terceiros, boatos e conteúdos divulgados em redes sociais”. A difusão dessas narrativas, para o ministério público de Santa Catarina, criou a ideia de que os adolescentes foram autores de agressões, o que acabou direcionando a “investigação a partir de suposições e afastando outras linhas investigativas que poderiam ter sido exploradas com maior efetividade”.