Morto na ditadura argentina: família recebe pertences de Tenório Jr.


Cinquenta anos após o sequestro e morte do músico Francisco Tenório Cerqueira Júnior durante a ditadura militar argentina, os familiares vão receber os pertences dele. Conhecido como Tenório Júnior, ele era apontado como um dos maiores pianistas da história brasileira, além de ser arranjador e compositor.

A entrega vai ocorrer em cerimônia solene, logo mais às 16h, no prédio da Procuradoria Regional da República, no centro da cidade do Rio de Janeiro. O perito Carlos Somigliana, integrante da diretoria da Equipe Argentina de Antropologia Forense, fará a devolução dos objetos. O evento será restrito aos familiares, autoridades, incluindo do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania e membros da sociedade civil.

O ato simbólico é resultado dos esforços conjuntos da equipe de técnicos forenses argentinos e a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos do governo brasileiro. Em 1976, no auge de sua carreira, Tenório Júnior fazia uma turnê junto com os cantores e compositores Toquinho e Vinícius de Moraes na Argentina. Na madrugada de 18 de março, o pianista teria saído para ir à farmácia, próximo ao hotel onde estava hospedado, e nunca mais voltou.

Naquele período, estava em curso a Operação Condor, esforço coordenado das ditaduras sul-americanas entre as décadas de 1970 e 1980, que, apoiadas pelos Estados Unidos, endureceram suas políticas de perseguição a opositores políticos que partiam de um país para outro dentro do continente. Apesar da comoção que o caso gerou, a confirmação da morte do músico só ocorreu quase 50 anos depois, quando a Equipe Argentina de Antropologia Forense, por meio de comparações com as impressões digitais, identificou o corpo.

Segundo as investigações, Tenório Júnior teria sido morto por disparos de uma arma de fogo e enterrado sem identificação em um cemitério em Don Torcuato, em Buenos Aires, capital argentina.

*Sob supervisão de Vitória Elizabeth




Fonte GDF