META corta 8 mil empregos para acelerar aposta em IA
A corrida pela inteligência artificial acaba de provocar um dos maiores cortes de pessoal da história recente da Meta. A empresa controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp iniciou no dia 20 de maio a demissão de aproximadamente 8 mil funcionários, em uma ampla reestruturação destinada a concentrar recursos e investimentos em inteligência artificial.
As notificações começaram a chegar aos empregados após semanas de apreensão dentro da companhia. A informação foi divulgada por um funcionário da Meta. Segundo ele, desta vez seu cargo foi preservado. A empresa ainda não se pronunciou oficialmente sobre os desligamentos.
No fim de dezembro de 2025, a Meta contabilizava 78.865 empregados, segundo dados da France Presse. Com isso, o corte representa cerca de 10% de toda a força de trabalho da gigante da tecnologia.
Ainda não há confirmação se profissionais da Meta no Brasil também foram atingidos pela medida.
As primeiras comunicações foram enviadas a funcionários da Ásia às 4 horas da manhã, no horário de Singapura, conforme um memorando interno. Em seguida, as notificações seriam encaminhadas aos trabalhadores dos Estados Unidos.
A movimentação ocorre poucos dias após outro anúncio da companhia. No dia 18 de maio a Meta informou que aproximadamente 7 mil funcionários seriam transferidos compulsoriamente para projetos relacionados à inteligência artificial.
Segundo o mesmo funcionário, a mudança não oferecia opção de escolha aos empregados.
O clima interno já era considerado extremamente tenso. A empresa havia comunicado antecipadamente que novas demissões ocorreriam nas semanas seguintes, alimentando um ambiente de insegurança que acabou se confirmando.
A aposta na IA trouxe consequências inesperadas
Na tentativa de acelerar sua transformação baseada em inteligência artificial, o CEO Mark Zuckerberg reconheceu que a reestruturação provocou problemas significativos. A rápida implementação da nova estratégia gerou desorganização operacional, insatisfação entre os empregados e falhas na gestão.
Entre os principais impactos relatados estão:
- Colapso gerencial: para concentrar equipes voltadas à IA, a Meta passou a adotar estruturas em que um único gerente chegou a supervisionar até 50 funcionários, dificultando o acompanhamento das atividades, reduzindo o alinhamento das equipes e comprometendo a produtividade;
- Queda acentuada na moral dos empregados: relatos internos descrevem um ambiente considerado “deprimente”, enquanto manifestações de descontentamento relacionadas à nova estratégia cresceram de forma expressiva nas plataformas internas da empresa;
- Reconhecimento dos erros: diante dos problemas, Zuckerberg afirmou que parte dos profissionais poderá retornar às funções anteriores caso isso seja necessário para recuperar a eficiência operacional;
- Tentativa de conter a crise: buscando reduzir o desgaste interno, executivos ampliaram benefícios como lanches gratuitos e aumentaram os orçamentos destinados a eventos de integração entre os empregados.
Sistema de anúncios também apresentou falhas
Um dos setores mais afetados durante a transição foi o Meta Ads, responsável pela plataforma de publicidade da empresa.
Segundo relatos, o sistema passou a direcionar anúncios para públicos incorretos, elevando custos das campanhas e apresentando inconsistências nos relatórios de desempenho.
Em um dos exemplos citados, um relatório indicava que 200 perfis haviam sido impactados, quando, na realidade, apenas um único perfil havia recebido a publicidade.
A inteligência artificial foi superestimada?
O episódio reacende um debate cada vez mais presente no mercado: até que ponto empresas estão acelerando a substituição de pessoas por inteligência artificial sem que a tecnologia esteja preparada para assumir funções críticas?
Enquanto gigantes da tecnologia continuam investindo bilhões em IA, casos como o da Meta mostram que uma implementação precipitada pode gerar efeitos colaterais relevantes, afetando produtividade, qualidade dos serviços e o próprio ambiente corporativo.
A pergunta permanece aberta: o mundo corporativo está avançando rápido demais na corrida pela inteligência artificial?