mais igualdade e inteligência coletiva
A inteligência artificial está transformando mais do que a produtividade no ambiente de trabalho. Ela também está mudando a forma como as pessoas participam, se posicionam e exercem influência em reuniões. Essas são algumas das principais conclusões do novo relatório global “Power Dynamics in Meetings 2026”, da Read AI, uma das plataformas de IA que mais crescem no Brasil, que analisou 159.870 reuniões virtuais e híbridas ao longo de 60 dias, em empresas públicas e privadas de mais de 30 setores ao redor do mundo.
Participação feminina cresce com maior visibilidade das dinâmicas de reunião
Um dos achados mais relevantes aponta para uma mudança nas dinâmicas tradicionais de gênero. Mulheres falam, em média, 9% mais do que os homens em relação à sua representação nas reuniões. O dado contrasta com padrões históricos, nos quais homens tendem a falar mais, mais cedo e por períodos mais longos.
Apesar do avanço, ainda existem desigualdades. Os dados mostram que mulheres entram no chamado “modo fantasma”, caracterizado por baixa participação e câmera desligada, 19% mais frequentemente do que homens, indicando que as lacunas de engajamento ainda não foram totalmente superadas.
“A IA está ajudando a nivelar o campo nas reuniões ao assumir tarefas administrativas que historicamente recaem sobre mulheres e outros grupos sub-representados, como a tomada de notas”, afirma David Shim, CEO da Read AI. “Quando essas responsabilidades são automatizadas, mais pessoas podem se concentrar em contribuir para a conversa.”
Hierarquias mais equilibradas e maior inteligência coletiva
O relatório também mostra que a diferença no tempo de fala entre gestores e colaboradores individuais está diminuindo, aproximando os níveis de participação e reduzindo a dominância tradicional de cargos mais seniores.
Essa mudança está associada a ganhos mensuráveis de desempenho das equipes. Reuniões com participação mais equilibrada apresentam maior inteligência coletiva, o que resulta em melhores tomadas de decisão, colaboração e inovação.
“Quando as empresas têm acesso a esses padrões e insights gerados pela IA, conseguem promover discussões mais equilibradas e, consequentemente, melhores resultados nos negócios”, diz Shim. “Nossos dados também mostram que empresas com menores níveis de ‘modo fantasma’ registram um crescimento quase três vezes maior. Visibilidade, participação ativa e engajamento são fatores críticos não apenas para a dinâmica das equipes, mas também para o desempenho dos negócios.”
Modelo híbrido amplia desigualdades
Ambientes de trabalho híbridos ainda apresentam desafios. Participantes presenciais falam até cinco vezes mais do que os remotos e fazem quase o dobro de perguntas durante as reuniões. Esse desequilíbrio se traduz em maior influência sobre discussões e decisões, criando uma nova camada de desigualdade.
“O trabalho híbrido já é o padrão global, mas, sem estratégias intencionais, vozes remotas podem ser facilmente ofuscadas”, acrescenta Shim.
Diferenças entre setores reforçam padrões comportamentais
Alguns setores, como o público, transporte e logística, saúde, organizações sem fins lucrativos e mídia e entretenimento, apresentam dinâmicas mais equilibradas. Nesses casos, o tempo de fala e a influência são mais distribuídos, abrindo espaço para mulheres, profissionais em início de carreira e cargos não gerenciais.
Por outro lado, setores como imobiliário, manufatura, hotelaria e turismo, jurídico e contábil, além de marketing e comunicação, apresentam dinâmicas mais hierárquicas, nas quais a influência permanece concentrada em poucos participantes mais seniores.
Neurodiversidade evidencia lacunas invisíveis de participação
O estudo também destaca aspectos menos visíveis das dinâmicas de reunião, como a neurodiversidade. Formatos tradicionais favorecem processamento verbal rápido e respostas imediatas, o que pode prejudicar pessoas com diferentes estilos cognitivos, incluindo profissionais neurodivergentes, introvertidos ou não nativos no idioma.
Comportamentos frequentemente interpretados como desengajamento, como silêncio ou respostas tardias, podem refletir essas diferenças cognitivas. Ao revelar esses padrões, a IA ajuda lideranças a compreender melhor as contribuições e a desenhar reuniões mais inclusivas.
IA como motor de transformação cultural
De forma geral, o relatório indica que a IA está evoluindo de uma ferramenta de produtividade para um motor de transformação cultural. Ao tornar visíveis padrões antes invisíveis, como tempo de fala, interrupções, engajamento e dinâmicas comportamentais, a tecnologia permite que empresas identifiquem desequilíbrios e adotem ações estruturadas para construir ambientes mais inclusivos e colaborativos.
Essa abordagem complementa iniciativas tradicionais de desenvolvimento profissional ao tornar os insights comportamentais mais contínuos, mensuráveis e escaláveis.
Fonte: Read AI