Lula se reunirá com Hugo Motta para discutir PEC da Escala 6×1
O presidente Lula se reunirá, na próxima segunda-feira (25), com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, para discutir a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do fim da escala de trabalho 6×1. O encontro acontecerá às vésperas da votação da PEC pelo plenário da Casa, e o governo defende que não haja uma regra de transição da jornada atual, de 44 horas semanais, para 40, como declarou o presidente Lula, nesta sexta-feira (22), em entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil:
“Nós defendemos que a redução seja de uma vez. De 44 para 40 e fim de papo, sem reduzir salário. Obviamente que nós não temos força para aprovar tudo o que a gente quer. Nós não temos força. Então, tem que negociar. Só para você saber, eu, segunda-feira, tenho uma reunião com o presidente da Câmara, com o Ministro do Trabalho, pra gente discutir como é que a gente pode… Não dá para aceitar ficar quatro anos para fazer meia hora por ano, uma hora por ano. Ou seja, aí é brincar de fazer redução.”
Integrantes da comissão especial que analisa o fim da escala de trabalho 6×1 na Câmara dos Deputados garantiram que o projeto deverá ser votado até quinta-feira, dia 27.
Segurança
No tema da segurança, o presidente Lula disse, durante a entrevista, que o programa Brasil Contra o Crime Organizado, lançado no início do mês pelo governo federal, prevê a transformação de presídios estaduais em unidades de segurança máxima, para isolar lideranças de facções criminosas:
“Agora, nós vamos transformar 138 presídios, onde estão praticamente quase que 80% do chamado crime organizado, das facções, nós vamos fazer 138 presídios de segurança máxima. Vamos financiar com os governadores tudo o que for necessário para que a gente proíba, porque a cadeia, em vez de ser uma punição, é um escritório para eles fomentarem o crime no Brasil e no mundo.”
Lula voltou a afirmar que a expectativa do Planalto é criar o Ministério da Segurança Pública assim que o Senado Federal aprovar a PEC da Segurança Pública, já aprovada pelo plenário da Câmara.
Combustíveis
Também foi destaque o tema da alta nos preços dos combustíveis, reflexo da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que provocou o fechamento do estreito de Ormuz, por onde passam 20% de todo o petróleo do mundo.
Lula fez críticas à venda da BR Distribuidora, ao trabalho das agências reguladoras e afirmou que o governo tem adotado medidas para verificar o aumento abusivo dos preços dos combustíveis:
“Mas eles privatizaram a BR. Esse foi o desserviço que eles fizeram ao Brasil, dizendo que ia melhorar. O que é que melhorou a privatização da BR? Nada. Ou seja, o governo não tem controle hoje, aí você fica dependendo da agência. E a agência ainda tem gente com mandato do tempo do Bolsonaro. A agência, que era uma coisa reguladora, deixou de ser reguladora e ficou quase que representante de empresários. Então, veja, nós estamos preocupados. Posso te garantir, toda semana eu faço uma reunião. Nós não temos por que aumentar o preço. O que nós temos é que colocar a Polícia Federal, a Agência Nacional de Petróleo, na rua para fiscalizar.”
Segundo pesquisa da ANP divulgada nesta sexta-feira, o preço médio da gasolina comum caiu 0,6% na semana de 17 a 23 de maio, na comparação com a semana anterior. O litro é vendido, em média, a R$ 6,62 ante R$ 6,66 do último período.
Bets
Lula comentou ainda que é a favor da restrição à publicidade das bets e disse que trabalha para o fim da ilegalidade no setor:
“Se depender da vontade do presidente da República, eu sou favorável a acabar com todas aquelas bets que não estão prestando nenhum serviço de utilidade a esse país. Eles gastam muito dinheiro com publicidade na televisão. É sabido a quantidade de influência que eles têm no Congresso Nacional; é sabido a quantidade de dinheiro que eles fazem o povo gastar jogando sem nenhuma orientação. Porque jogar é uma doença, é um vício, gente, você não tem noção do vício.”
Em maio do ano passado, o Senado Federal aprovou restrições à publicidade de bets, com medidas que vão da proibição de propaganda durante a transmissão ao vivo de eventos esportivos ao envio de notificações sem o consentimento prévio do destinatário.