Livro segue passos da primeira viagem de Charles Darwin – 13/05/2026 – É Logo Ali
“A gente tem a imagem de Darwin como aquele senhor barbudo, grisalho, que representa muita sabedoria, Mas o Darwin, nessa época, tinha apenas cerca de 22 anos, era um jovem que estava aberto a conhecer o mundo e foi isso que ele fez”.
A frase acima fala da inspiração que o biólogo e naturalista britânico Charles Darwin (1809-1892), que revolucionaria a história humana com sua teoria da evolução através da seleção natural das espécies, deu para uma viagem e, com ela, um livro, que Márcio Pimenta escreveu e e acaba de lançar. Nele, Darwin não é personagem, mas fio condutor de uma jornada que o levou a percorrer não os lugares onde o britânico consolidaria sua teoria, mas àqueles que primeiro o levaram a questionar o que até então se acreditava inquestionável: que o ser humano não veio pronto de fábrica. Ele, como todos os animais sobre a face da Terra, era fruto de muitos milênios de adaptação aos diferentes biomas e fenômenos geológicos e meteorológicos do planeta.
“O papel central de minha história”, aponta Pimenta, “é o tempo”.
O livro de Pimenta, “Encontrando Darwin – Uma Expedição pelos Confins do Mundo”, narra a viagem do autor até e pela região da Patagônia, a bordo de um jipe. O ex-economista que abandonou a carreira para se dedicar à fotografia e à exploração persegue os locais por onde Darwin passou na sua primeira viagem a bordo do navio da Marinha Real Britânica HMS Beagle, entre os anos de 1831 e 1836.
O capitão do Beagle era ninguém menos que Robert FitzRoy, que hoje dá nome a um dos mais belos picos da região. Darwin, então, era quase que o que hoje conhecemos como estagiário, um aprendiz que dava os primeiros passos na pesquisa biológica. E que, a partir de fósseis de mamíferos encontrados pelo caminho, e da observação de espécies distintas de emas que habitavam espaços geográficos diferentes separados às vezes apenas por um rio, começou a pensar na habilidade dessas espécies de se adaptar a cada meio.
O autor lembra, à medida que desenvolve em completa solidão sua jornada por estradas varridas por ventos brutais e curvas perigosas, que o próprio FitzRoy, cristão fervoroso e conservador, viria a ser um dos mais virulentos críticos da Teoria da Evolução de Darwin, depois de terem protagonizado acirradas discussões sobre a escravidão, defendida por aquele e abominada por este. A origem divina do ser humano não era para ser questionada, nem a primazia do ser branco “civilizado” sobre os inferiores. Com uma visão dessas, pode-se imaginar o que pensaria FitzRoy do parentesco humano com os macacos.
Em sua própria viagem, Pimenta chega à conclusão de que, se as espécies evoluem por meio da “descendência com modificação”, o ser humano acrescenta um tempero a mais, “de constante ajuste e adaptação “. E da experiência ele conclui que a maior dificuldade de seguir só por esse território inóspito e imponente é lidar com “o acúmulo de informações sobre como nos relacionamos com o ambiente e como ele nos transforma”.
“Há duas questões muito difíceis durante uma expedição como essa”, afirma Pimenta. “O silêncio, inicialmente, se torna ausência. E à medida que a gente vai seguindo, se torna presença”. Ele acrescenta que a solidão nesse tipo de viagem “às vezes é desconfortável, porque estamos muito acostumados às distrações e, se você está sozinho, é só você com suas experiências, com sua relação com o mundo naquele momento”.
Em determinado momento da jornada, Pimenta conta que precisou sair do carro “para sentir o chão, sentir a paisagem, para que o olhar fosse o mais distante possível, para ser parte daquele lugar”.
Encontrando Darwin – Uma Expedição pelos Confins do Mundo
- Autor Márcio Pimenta
- Editora Solisluna, 288 págs.
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