Lista Suja do Trabalho Escravo do MTE inclui 159 novos empregadores
159 empregadores, no Brasil, foram incluídos na nova atualização da chamada “Lista Suja” do Trabalho Escravo, divulgada pelo MTE, Ministério do Trabalho e Emprego.
Agora, o documento passa a ter 613 empresas e pessoas físicas que submeteram trabalhadores e trabalhadoras a condições degradantes, um crescimento de 20% em relação ao ano anterior.
Entre as atividades econômicas contidas na lista suja, a maior parte é ligada à agropecuária: o corte de bovinos; seguida de serviços domésticos, cultivo de café, e construção civil. A Organização Internacional do Trabalho atribui à pobreza o principal fator para a existência do trabalho escravo, no Brasil.
A Assessora de projetos do Programa de Direitos Socioambientais da organização de direitos humanos, Conectas, Fernanda Drummond, defende o fortalecimento dos agentes fiscalizadores, aumento de investimentos e maior responsabilização dos infratores. Para ela, as regras atuais passam a ideia de impunidade que, muitas vezes, pode sustentar a lógica escravocrata.
“A gente não pode deixar de demonstrar que o Brasil não possui leis que exijam que essas empresas divulguem publicamente as informações de toda a sua cadeia produtiva. Isso dificulta muito o controle e a responsabilização de todos aqueles que estão envolvidos com a prática do trabalho escravo. E isso oferece pouco incentivo para que essas empresas cumpram com as leis trabalhistas, porque acaba compensando, financeiramente, continuar com o trabalho escravo. E aqui a gente não tá falando de garantir direitos muito avançados para o trabalhador. A gente está falando de garantir condições mínimas de dignidade”.
A Lista Suja contém casos que ocorreram entre 2020 e 2025. Nesse período, mais de 1,5 mil pessoas foram resgatadas de situações de exploração.
Uma das empregadoras incluídas nesta atualização é a BYD, fabricante chinesa de carros elétricos, que terceirizou os serviços na unidade de Camaçari, região metropolitana de Salvador, na Bahia.
Em junho do ano passado, o Ministério do Trabalho autuou a companhia por submeter trabalhadores chineses a condições análogas à escravidão. As investigações apontaram que mais de 400 trabalhadores foram trazidos de forma irregular ao Brasil para atuar nas obras da fábrica. Desses, 163 foram resgatados em condições semelhantes à escravidão. Procurada pela nossa reportagem, a BYD informou que não vai se manifestar sobre o caso.
O cantor Amado Batista, também passou a integrar a lista. O documento cita que dez trabalhadores foram submetidos a condições degradantes, no sítio dele na zona rural de Goianápolis, Goiás. Em nota, a assessoria do artista nega as acusações e diz que foram identificadas irregularidades na contratação de quatro colaboradores que eram empregados de uma empresa terceirizada. Também informou que a ocorrência gerou acordo com o ministério público, e que estão sendo tomadas “todas as providências administrativas para o encerramento” das autuações.
Os nomes incluídos na lista suja passam por processos administrativos, com direito à ampla defesa. Após a inclusão, permanecem no cadastro por dois anos. Apesar da entrada de 159 novos empregadores, 184 foram retirados nesta atualização. A exclusão pode ocorrer antes do prazo, caso haja acordo de regularização com o Ministério do Trabalho.