IRPF 2026 começa com falhas no acesso e na pré-preenchida
O início do prazo de entrega do Imposto de Renda 2026, aberto nesta segunda-feira (23), foi marcado por dificuldades de acesso aos canais da Receita Federal e por falhas na declaração pré-preenchida que, diferente do anunciado pelo Fisco, ainda não estava completa.
Logo nas primeiras horas do dia, leitores do Portal Contábeis relataram em nosso Instagram problemas tanto no site quanto no aplicativo oficial da Receita. Entre os erros informados, apareceram mensagens relacionadas à falha de autenticação pelo Gov.br, além da impossibilidade de iniciar ou concluir o preenchimento da declaração, com a mensagem “processo de autorização incompleto” e “Atenção! Não foi possível iniciar a declaração”.
Além das falhas de acesso, os contadores também identificaram inconsistências no conteúdo da declaração pré-preenchida. Entre os principais problemas observados estão informações incompletas ou divergentes em despesas médicas, ausência de valores reembolsados por planos de saúde e registros com montantes inferiores aos efetivamente pagos.
Também houve relatos de estabelecimentos de saúde já informados em declarações anteriores aparecendo novamente no sistema, porém com valores zerados, mesmo sem qualquer movimentação no ano-calendário de 2025.
Outras inconsistências atingiram dados bancários e cadastrais. Em alguns casos, contas de titular e dependentes apareceram sem saldo ou sem informação, além de registros desatualizados, como dados escolares dos dependentes. Houve ainda situações em que campos de rendimentos e despesas vieram vazios no aplicativo, enquanto a ficha de identificação estava incompleta.
De acordo com a Receita Federal em São Paulo, a falta de determinadas informações pode ocorrer, principalmente, por dois fatores: quando o Fisco ainda não tem segurança suficiente para carregar determinado dado no sistema ou quando empresas, bancos, escolas, operadoras de saúde e demais fontes pagadoras ainda estão em fase de envio, ajuste ou retificação das informações.
Isso acontece porque boa parte dos dados utilizados na pré-preenchida depende de informações repassadas por terceiros. Quando esses dados chegam com atraso, incompletos ou com inconsistências, a declaração também pode apresentar falhas.
O auditor-fiscal Ricardo Ribeiro Junior, supervisor do Imposto de Renda em São Paulo, declarou à Folha de S. Paulo que um dos primeiros blocos de dados importados pela pré-preenchida é justamente a declaração do exercício anterior. Assim, informações já existentes tendem a ser repetidas para facilitar a conferência do contribuinte, que deve excluir ou atualizar o que não corresponder mais à sua realidade.
Em 2026, outro ponto de atenção envolve a mudança no cruzamento de dados. Parte das informações de rendimentos passou a ser alimentada por bases como o eSocial e a EFD-Reinf, que ainda vêm passando por ajustes pelas empresas responsáveis pelo envio. Por isso, especialistas já alertavam para a possibilidade de inconsistências, cenário semelhante ao verificado em exercícios anteriores.
Também houve alteração na forma de emissão de recibos por profissionais de saúde pessoas físicas, como médicos e dentistas, o que exige atenção redobrada por parte dos contribuintes na conferência das despesas lançadas.
Diante desse cenário, a orientação é clara: sempre que houver divergência entre a declaração pré-preenchida e os informes de rendimentos, recibos ou comprovantes emitidos por empresas, bancos, escolas e prestadores de serviços, deve prevalecer a documentação oficial em posse do contribuinte.
Embora a ferramenta pré-preenchida facilite o envio e reduza o risco de omissões, a responsabilidade pelas informações prestadas continua sendo integralmente do contribuinte, que deve revisar todos os dados antes da transmissão para evitar erros e eventual retenção em malha fina.
Com informações adaptadas Folha de S. Paulo