Governo retira urgência do fim da escala 6×1


O governo federal retirou o regime de urgência do Projeto de Lei nº 1.838/2026, que trata da regulamentação do fim da escala de trabalho 6×1. Com a medida, a pauta da Câmara dos Deputados deixa de ficar bloqueada pela proposta e volta a permitir a votação de outras matérias consideradas prioritárias pelo Congresso Nacional.

O tema foi discutido durante a reunião de líderes realizada nesta terça-feira (16). Como o projeto tramitava em regime de urgência constitucional, ele impedia a análise de outras proposições enquanto não fosse apreciado pelo plenário.

Segundo o governo, a retirada da urgência não representa abandono da proposta, mas uma estratégia para permitir o avanço de outras agendas legislativas consideradas relevantes.

Projeto do fim da escala 6×1 deixa de bloquear votações

O regime de urgência é um mecanismo que acelera a tramitação de projetos e estabelece prioridade para sua votação.

No caso do PL 1.838/2026, a manutenção da urgência vinha impedindo a apreciação de outras matérias na Câmara dos Deputados, gerando pressão de parlamentares e líderes partidários para que o impasse fosse resolvido.

Com a retirada do regime especial de tramitação, o projeto continuará tramitando normalmente, mas sem impedir a votação de outras propostas.

Governo reafirma apoio ao fim da escala 6×1

Em publicação nas redes sociais, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que a proposta continua sendo uma das prioridades do governo federal.

Segundo ele, a decisão foi tomada para viabilizar o avanço de outras pautas consideradas estratégicas para o Executivo.

Entre os projetos citados pelo ministro estão:

  1. atualização do teto de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI);
  2. regulamentação da inteligência artificial;
  3. criminalização da misoginia;
  4. outras propostas com impacto social e econômico.

Guimarães destacou ainda que, após a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do tema na Câmara, caberá ao Senado Federal dar continuidade à discussão sobre a redução da jornada de trabalho.

Atualização do MEI pode ganhar espaço na pauta

A retirada da urgência do projeto da escala 6×1 pode abrir caminho para a retomada das discussões sobre a atualização dos limites do Microempreendedor Individual.

A revisão do teto de faturamento do MEI é uma demanda antiga de entidades empresariais e de profissionais que atuam no regime simplificado.

O tema figura entre as prioridades defendidas por diversos parlamentares e pode voltar ao centro das discussões nas próximas semanas.

Projeto que equipara misoginia ao racismo também avança

Outro tema debatido pelos líderes da Câmara foi o Projeto de Lei nº 896/2023, que propõe equiparar a misoginia ao crime de racismo.

A medida tornaria esse tipo de conduta imprescritível e inafiançável, seguindo tratamento semelhante ao previsto para crimes de racismo na legislação brasileira.

Embora houvesse expectativa de votação ainda nesta semana, os líderes partidários decidiram deixar a análise da proposta para a última semana de junho.

Texto amplia medidas de proteção às mulheres

A versão mais recente do projeto foi apresentada pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP), coordenadora do grupo de trabalho responsável pelo tema.

O relatório destaca a relação entre discursos de ódio contra mulheres e a prática de crimes mais graves, incluindo casos de feminicídio.

Entre as mudanças previstas estão:

  1. fortalecimento do atendimento especializado às vítimas;
  2. ampliação do papel das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deams);
  3. mecanismos para identificação precoce de situações de risco;
  4. avaliação periódica de políticas públicas voltadas à proteção feminina;
  5. incentivo a programas de apoio econômico e social para mulheres em situação de vulnerabilidade.

O que acontece com o projeto da escala 6×1 agora?

Mesmo sem o regime de urgência, o projeto que regulamenta o fim da escala 6×1 continuará em tramitação no Congresso Nacional.

A proposta busca adequar a legislação trabalhista às mudanças previstas na PEC que reduz a jornada semanal e amplia o número de dias de descanso dos trabalhadores.

O texto ainda deverá passar pelas etapas regulares de discussão e votação, tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal.

Enquanto isso, a retirada da urgência permite que outras pautas econômicas, trabalhistas e sociais avancem na agenda legislativa nas próximas semanas.





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