Governo eleva projeção de inflação para este ano de 3,7% para 4,5%
O Ministério da Fazenda elevou de 3,7% para 4,5% a projeção de inflação para este ano, levando a estimativa oficial ao teto da meta definida pelo próprio governo. A revisão, divulgada nesta segunda-feira (18), reflete, segundo a pasta, os impactos da guerra no Oriente Médio, que fez o preço do petróleo passar dos US$ 110 por barril.
O subsecretário de Política Macroeconômica, Rafael Leão, detalhou os reflexos da alta que afastaram a previsão de inflação deste ano do centro da meta, que é 3%:
“Até o início do conflito, nós vínhamos observando uma inflação que apontava para uma convergência ao centro da meta e, a partir de março, isso começou a mudar. A gente teve choque no preço do petróleo, que passou a pressionar combustíveis, insumos industriais, parte dos custos de transportes também foram afetados, e que tem possíveis desdobramentos também na cadeia, inclusive, de alimentos, que é outro vetor de pressão inflacionária.”
O governo acredita que parte dessa alta do petróleo será amenizada pela valorização do real e por medidas para reduzir o repasse ao consumidor.
PIB
Apesar do cenário inflacionário, a estimativa para o crescimento da economia para este ano foi mantida em 2,3%, medido pelo PIB, o Produto Interno Bruto. Para o governo, a atividade econômica deve desacelerar neste e no próximo trimestre, por causa dos juros altos, mas com retomada gradual no fim do ano.
Vale destacar que as previsões do governo são mais otimistas do que as do mercado financeiro, que projeta inflação perto de 5% e crescimento econômico abaixo de 2%.
Ganho extra
Se por um lado a alta do petróleo empurra a inflação para cima, por outro, reforça o caixa da União: a expectativa é de um ganho extra de R$ 8,5 bilhões por mês. O subsecretário de Política Fiscal do Ministério da Fazenda, Rodrigo Toneto, explicou a importância desse dinheiro a mais:
“Entendemos que as famílias brasileiras não precisam ser vítimas do conflito, uma vez que o Brasil, felizmente, tem condições de absorver parte desse choque com parte das receitas extraordinárias derivadas do aumento do preço do petróleo. Essa é uma sorte, de fato, do Brasil frente a outros países. Então, acho que essa é a fortaleza do Brasil, que nos permite chegar num momento de um choque e absorver esse choque de um jeito que não seja transferindo o custo para as famílias, que nada têm a ver com os bombardeios no Irã.”
Segundo o governo, o dinheiro extra vem de royalties, dividendos, Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e Imposto de Exportação ligados ao setor petrolífero.