Google recria com IA o ‘gol mais bonito’ de Pelé – 10/06/2026 – Esporte


O gol tido como o mais bonito da carreira de Pelé (1940-2022) sobreviveu apenas na memória e em relatos de quem o testemunhou.

A jogada aconteceu em 2 de agosto de 1959 numa partida entre o Santos e o Juventus, no estádio Conde Rodolfo Crespi, na rua Javari, zona leste de São Paulo —mas não foi filmada, o que ajudou a alimentar sua mitologia.

Agora, a partir de uma pesquisa histórica e relatos de quem viu o gol ao vivo, o Google recriou a jogada com inteligência artificial, utilizando os modelos Gemini Omni, Veo 3 e Nano Banana.

O anúncio foi feito pelo presidente da empresa no Brasil, Fábio Coelho, nesta quarta-feira (10), em São Paulo. O Google não quis fornecer detalhes ou imagens além do que exibiu em um palco para convidados.

A empreitada é uma parceria com o espólio e a família de Pelé. Para recriar o mítico gol, o Google trabalhou também com uma equipe de fotojornalistas, historiadores e pesquisadores —e utilizou uma fotografia da época.

Um dos entrevistados foi Pepe, único jogador vivo que estava no time de Pelé, e a ideia é lançar as imagens em um documentário no fim de junho.

Pelé tinha 18 anos quando marcou o gol da rua Javari. O rei tinha aberto o placar aos 24 minutos do primeiro tempo contra o Juventus e ampliou a pontuação aos 7 minutos do segundo.

A torcida juventina —cerca de 10 mil pessoas, segundo relatos— decidiu então hostilizar o craque. A cada toque na bola, vinham vaias da arquibancada.

Em uma tentativa de ataque do Juventus, o Santos rouba a bola e inicia um contra-ataque. O ponta-direita Durval então avança e lança a bola na direção da entrada da área, onde Pelé, marcado por um rival, esperava.

Sem deixar a bola tocar o chão, Pelé dá uma meia-lua em Julinho. Então a bola quica pela última vez num lance de cinco segundos, Pelé dá um chapéu em Homero, dá outro em Clovis —sem deixar a bola cair— e, ainda sem deixar a pelota tocar o chão, chapela o goleiro Mão de Onça, que cai de cara na grama. Pelé então faz o gol de cabeça, da entrada da pequena área.

Segundos depois, o rei ainda criou uma das comemorações mais famosas do futebol: o soco no ar. Os próprios rivais do Juventus aplaudiram o craque e, antes de o jogo recomeçar, foram cumprimentá-lo.

Não é a primeira vez que a jogada é recriada com a ajuda da tecnologia. Em 2004, o documentário “Pelé Eterno” recriou o gol com a ajuda de computação gráfica, mas os recursos disponíveis à época estavam aquém do que as ferramentas de IA generativa permitem fazer hoje.



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