Gandulas: o que fazem e como atuam na Copa do Mundo 2026 – 16/06/2026 – Esporte


No futebol —e em outros esportes, como o tênis e o beisebol—, a função do gandula é recolher e devolver aos jogadores as bolas que saem do campo durante uma partida. Feito isso, ele apanha aquela que tinha saído do jogo.

Em torneios de clubes, como o Campeonato Brasileiro, esses auxiliares são selecionados pela equipe mandante.

Na Copa do Mundo, disputada em campo neutro, os gandulas são escolhidos e treinados pela Fifa entre voluntários, geralmente jovens atletas de clubes dos países-sede.

Na edição deste ano, que ocorre nos Estados Unidos, no Canadá e no México, parte dos gandulas foi selecionada em uma ação de um patrocinador do evento.

Para tentar evitar interferências indevidas, a Premier League, primeira divisão do Campeonato Inglês, determinou a partir de 2024, via regulamento, que o gandula não mais entregue a bola diretamente ao jogador.

No sistema, chamado de “multiball”, cones de plástico são espalhados ao redor do gramado, e sobre cada um é colocada uma bola. Cabe ao jogador pegar a bola que está em um desses cones para reiniciar a partida. A função do gandula, nesse modelo, é exclusivamente reabastecer o cone vazio.

A partir de 2025, a FPF (Federação Paulista de Futebol), a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e a Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) anunciaram a adoção do mesmo sistema da Premier League em seus torneios —isso inclui o Campeonato Paulista, o Campeonato Brasileiro e a Libertadores.

A Copa do Mundo, porém, não adota o “multiball”.

Você pode reparar, durante os jogos, que há algumas bolas posicionadas estrategicamente fora das quatro linhas, sem cones, para que os próprios jogadores a recolham —os gandulas, porém, ainda podem entregá-las diretamente aos atletas, quando necessário.

Na Copa, para tentar coibir a cera (quando alguém demora para recomeçar a partida de forma proposital), em vez de isolar o gandula, a Fifa impôs novas regras para cobrança de lateral e tiro de meta.

Se o jogador responsável pela cobrança atrasa de forma intencional o arremesso lateral, o árbitro faz um sinal indicando que, a partir daquele momento, começa uma contagem de cinco segundos. Caso a cobrança não seja realizada dentro desse tempo, a posse de bola é dada ao time adversário.

Seguindo a mesma lógica, se o goleiro, um jogador ou a equipe atrasa de forma intencional a cobrança do tiro de meta, o árbitro sinaliza o início de uma contagem de cinco segundos. Se o lance não é realizado dentro do tempo, marca-se escanteio para o time adversário.

Origem do termo gandula

Por muitos anos difundiu-se esta história sobre a origem do termo gandula: ele teria surgido por causa do jogador argentino Bernardo Gandulla (1916-1999), que atuou no Vasco em 1939.

Dizia a lenda que era mau jogador e tentava compensar a falta de habilidade, na reserva, buscando as bolas que saíam do campo e repondo-as com rapidez.

A palavra, porém, já era usada antes —há um registro de 1933 no jornal Diário da Noite, por exemplo.

Gandulla tampouco era mau jogador: foi campeão argentino duas vezes pelo Boca Juniors.

Na verdade, o termo vem de “gandul“, palavra em espanhol que significa vagabundo, preguiçoso. Para um ofício que exige tanto esforço físico, a etimologia parece injusta.

A palavra “gandul” vem do árabe “gandûr“, que significa “jovem de classe modesta que afeta elegância e vive sem trabalhar”.

Já “gandular” é uma gíria regional do Rio Grande do Sul que significa viver à custa de outrem, parasitar.

Continua sendo injusto com os gandulas, mas a ideia de pessoa jovem que atua à margem de outras, mais notórias, aproxima-se um pouco mais da função do gandula.



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