Fifa fechará olhos para guerra, e Copa pode ficar sem Irã – 28/02/2026 – O Mundo É uma Bola


Começou mais uma guerra. Já havia a entre Rússia e Ucrânia, a entre Israel e Hamas (em território palestino) e a recentíssima entre Paquistão e Afeganistão, ofuscada bruscamente pelo ataque empreendido pelos EUA, com apoio israelense, ao Irã neste sábado (28).

O Irã é um dos 48 países classificados para a Copa do Mundo deste ano, que começa no dia 11 de junho e tem como uma das sedes, a principal, os Estados Unidos –as outras são Canadá e México.

Com a guerra declarada, a pouco mais de cem dias do começo do Mundial, qual o risco real de os iranianos não atuarem?

A seleção asiática está no Grupo G e seus jogos estão marcados para duas cidades americanas, Los Angeles (contra Nova Zelândia e Bélgica) e Seattle (contra o Egito), ambas na costa oeste. LA, a propósito, conta com forte presença da comunidade iraniana.

Há fatores a serem considerados, que envolvem decisões dos países guerreantes e da Fifa, a entidade dona do maior evento futebolístico do planeta.

Esportivamente, não há razão para a Fifa excluir o Irã, que foi o país atacado. Se tivesse que impor uma sanção, seria ao agressor –estabeleceu suspensão à Rússia quando do ataque à Ucrânia.

Por óbvio, não fará nada contra os EUA, o país protagonista da Copa –se fizer, não tem mais Copa lá–, até porque a relação entre Gianni Infantino, presidente da federação, e Donald Trump é de profunda afinidade.

Uma opção para tentar reduzir a tensão e os riscos à segurança por a seleção iraniana atuar em solo estadunidense –manifestações nas ruas e nos estádios são bastante factíveis– é operacional: transferir as partidas do Irã para México ou Canadá.

A Fifa tentará ao máximo evitar esse cenário de reformulação drástica, porém, se uma decisão nesse sentido for tomada, é necessário que seja logo, pois há altos custos envolvidos.

Torcedores, inclusive, não só os iranianos, mas os dos adversários, seriam afetados na logística (e no bolso), já que muitos já devem ter comprado ingressos e reservado passagens para e hospedagem em Los Angeles e/ou Seattle.

A decisão esportiva, contudo, figura como coadjuvante. Os atores principais da repulsiva trama são Washington e Teerã.

A Casa Branca pode decidir proibir a entrada da delegação iraniana nos EUA, recusando-se a emitir vistos. (“Estamos em guerra” é justificativa suficiente para tal.) Ou o aiatolá Ali Khamenei pode decidir que a seleção de seu país boicote a Copa. (“Estamos em guerra” é justificativa suficiente para tal.)

Não necessariamente uma definição de um lado ou de outro acontecerá rapidamente, pois há prós e contras a serem colocados na balança, relacionados primordialmente à imagem política de cada nação, interna e externamente.

Os próximos dias serão vitais na indicação dos rumos da nova guerra. EUA e Israel (país que não se classificou para a Copa) tentarão derrubar o regime de Khamenei. Conseguirão? Se sim, rapidamente? Caso isso ocorra, a estabilidade será célere?

Não há bola de cristal para prever os próximos acontecimentos. E serão eles que direcionarão a presença ou não do Irã no Mundial.

Caso haja a ausência, será a primeira vez nas 22 edições da Copa do Mundo (realizada desde 1930) que um país classificado ficará fora da competição por motivo político-diplomático que tenha resultado em uma guerra.


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