Ficar próximo em famílias com rendimentos duplos



Na maioria das famílias com rendimentos duplos, estresse não é dramático. Está estável. Ele vive em calendários compartilhados, e-mails noturnos, práticas extracurriculares e jantares rápidos entre obrigações. Os pais alternam entre os papéis de trabalho e de casa, e os adolescentes fazem malabarismos com a escola, os amigos, as atividades e o seu próprio mundo digital.

Vistas de fora, essas famílias podem parecer funcionais e estáveis. Mas, abaixo da superfície, pequenas mudanças na conexão podem moldar o quão apoiada, calma e resiliente cada pessoa se sente.

Nossa nova pesquisa (Dras. Tamara D. Afifi e America L. Edwards) acompanharam famílias com rendimentos duplos durante uma semana típica para examinar como a manutenção cotidiana do relacionamento – tanto presencial quanto digital – se relaciona com estresse, saúde mental, solidãoe até marcadores de estresse biológico.

Os resultados sugerem que a conexão não é apenas emocional. É fisiológico.

Por que a manutenção diária é importante

A manutenção do relacionamento refere-se a pequenos comportamentos pró-sociais que mantêm os laços fortes. Isso inclui coisas como:

  • Perguntando sobre o dia de alguém
  • Expressando apreciação
  • Compartilhando uma piada
  • Fazendo algo atencioso
  • Enviando um texto de apoio

Esses comportamentos costumam ser fáceis de ignorar porque são comuns. Mas de acordo com a teoria resiliência e carga relacional (TRRL; Afifi et al., 2016), esses pequenos atos constroem “reservas relacionais”. Essas reservas ajudam as famílias a lidar com a situação quando o estresse aumenta.

Examinamos a manutenção que ocorreu presencialmente (FtF) e por meio de comunicação mediada por computador (CMC), incluindo mensagens de texto, chamadas e outras plataformas digitais. As famílias hoje entrelaçam naturalmente esses modos. Uma mensagem rápida durante o dia de trabalho pode ser seguida por um abraço e um “eu te amo” na cozinha naquela noite.

Ambos são importantes.

A conexão aparece no corpo

Uma característica única deste estudo é que não confiamos apenas em autorrelatos. Além de pesquisas diárias sobre estresse e saúde mental, os familiares forneceram amostras de saliva para avaliar os padrões de cortisol e IL-6, marcador associado à inflamação e ao estresse.

Os adolescentes que relataram receber uma manutenção de relacionamento mais consistente dos pais apresentaram padrões de estresse fisiológico mais saudáveis ​​no meio da semana. Isso significa que a conexão cotidiana foi associada a respostas de cortisol mais estáveis ​​e a marcadores de inflamação mais baixos.

Esta descoberta sublinha algo importante: a comunicação familiar de apoio não é apenas agradável. Também pode moldar a forma como o corpo gerencia o estresse.

Presencial e digital não são opostos

Tanto a manutenção presencial quanto a digital foram associadas à redução do estresse e à melhor saúde mental ao longo da semana. Isso desafia a ideia de que a tecnologia é necessariamente um distanciamento para as famílias que vivem juntas.

A comunicação digital pode sustentar a conexão quando os pais estão no trabalho ou os adolescentes estão na escola. Uma simples mensagem pode sinalizar cuidado, atençãoe presença. Ao mesmo tempo, a manutenção presencial mostrou associações um pouco mais fortes com a redução da solidão, particularmente para os pais na sua família. relacionamento romântico. A presença física pode proporcionar uma sensação distinta de segurança relacional que a comunicação digital não pode substituir totalmente.

Em vez de perguntar qual modo é “melhor”, a questão mais útil pode ser como as famílias equilibram ambos.

O verdadeiro risco: lacunas de manutenção

Talvez a descoberta mais consistente tenha envolvido o que chamamos de lacunas de manutenção. Uma lacuna de manutenção ocorre quando há uma incompatibilidade entre a conexão que alguém deseja e a conexão que sente que recebe.

Essas lacunas previam estresse mais errático e saúde mental mais instável ao longo da semana. Mesmo quando a comunicação estava acontecendo, a sensação de que ela não atendia às necessidades estava associada à turbulência.

  • Para os adolescentes, as lacunas na manutenção presencial dos pais estavam especialmente ligadas à solidão. Muitos adolescentes desejavam mais conexão pessoal do que imaginavam receber.
  • Para os pais, os desencontros no relacionamento romântico estavam ligados a mudanças no estresse e no bem-estar à medida que a semana avançava.

A conclusão não é simplesmente “comunicar mais”. É “comunicar-se de maneira que atenda às necessidades”.

Assuntos do meio da semana

Outro padrão interessante emergiu ao longo do tempo: o stress e o bem-estar flutuaram de forma diferente para mães, pais e adolescentes.

As mães frequentemente relataram maior estresse no meio da semana, mesmo quando recebiam pensão alimentícia do cônjuge. Os pais às vezes apresentavam melhora na saúde mental no meio da semana com maior manutenção. Os padrões de estresse dos adolescentes ainda mudaram de maneira diferente. As famílias com rendimentos duplos operam sob pressões de género e baseadas em papéis. O mesmo comportamento de manutenção pode ocorrer de forma diferente dependendo de quem o recebe e quando. A conexão não elimina o estresse. Mas parece moldar a forma como esse estresse se desenrola.

O que isso significa para as famílias

As descobertas oferecem vários insights práticos:

  • Pequenos atos de manutenção são mais importantes do que imaginamos. A consistência parece construir estabilidade relacional.
  • A comunicação digital não é inerentemente prejudicial. Quando usado com cuidado, pode reforçar a conexão durante dias agitados.
  • Necessidades relacionais não atendidas podem corroer silenciosamente o bem-estar. As famílias podem se beneficiar de conversas ocasionais sobre como é a conexão, e não apenas com que frequência ela ocorre.

A resiliência não se constrói apenas durante as crises, mas na manutenção cotidiana dos relacionamentos.

Em um mundo de mídia mista, permanecer próximo tem menos a ver com escolher entre telas e presença e mais com garantir que a conexão oferecida seja a conexão necessária para se sentir realizado.



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