estratégia no comércio exterior brasileiro


Quando o assunto é logística, o transporte costuma ser o primeiro elemento lembrado. No entanto, existe uma estrutura que opera nos bastidores e se tornou essencial para o funcionamento do comércio exterior moderno: o setor de remessas expressas. Muito além da entrega de encomendas, esse modelo integra todas as etapas da operação internacional, desde a coleta na origem até a entrega no destino final, conectando empresas, consumidores e cadeias produtivas em diferentes países.

Com o crescimento do comércio eletrônico, da internacionalização dos negócios e da necessidade de movimentação rápida de produtos de alto valor agregado, o segmento passou a ocupar posição estratégica para a competitividade da economia brasileira. Segundo a diretora-executiva da Associação Brasileira das Empresas de Transporte Internacional Expresso de Cargas (ABRAEC), Lara Gurgel, as remessas expressas representam uma solução logística muito mais ampla do que o transporte em si.

“As remessas expressas entram como uma solução logística integrada, que vai além do transporte. Elas combinam coleta, consolidação, transporte internacional, tratamento aduaneiro, rastreabilidade, distribuição doméstica e entrega porta a porta. Na prática, são uma infraestrutura de conexão rápida entre empresas, consumidores, hospitais, laboratórios, universidades e cadeias produtivas globais”.

É justamente essa capacidade de conectar diferentes mercados com rapidez e previsibilidade que torna as remessas expressas uma infraestrutura estratégica para o comércio exterior. O modelo viabiliza o fluxo internacional de encomendas individuais de baixo valor movimentadas em grande escala, além de cargas que exigem rapidez na entrega, muitas vezes incompatíveis com os modelos tradicionais de transporte de carga.

Nesse contexto, as empresas de remessas expressas assumem toda a gestão da operação logística internacional. A operação porta a porta é realizada, de forma integrada, pela empresa de remessa expressa, que coleta a encomenda na origem, organiza o transporte internacional, transmite antecipadamente as informações aos sistemas aduaneiros, conduz os procedimentos de desembaraço aduaneiro, paga os tributos devidos em nome do destinatário, quando aplicável, e realiza a distribuição doméstica até a entrega no endereço final. A gestão unificada de todas as etapas garante elevado nível de rastreabilidade, segurança, previsibilidade e agilidade, reduzindo a complexidade para remetentes e destinatários e proporcionando maior eficiência ao processo logístico.

O envio antecipado das informações das cargas às autoridades aduaneiras também permite análises de risco antes mesmo da chegada da mercadoria ao país, contribuindo para um desembaraço mais ágil e previsível. Além do e-commerce, diversos segmentos dependem desse tipo de operação para importar e exportar bens, entre eles, saúde, pesquisa científica, tecnologia, indústria, agronegócio e pequenas empresas.

Para Lara Gurgel, a previsibilidade das entregas tornou-se um fator competitivo para os negócios brasileiros. “A previsibilidade reduz estoques, evita paralisações, melhora o planejamento produtivo e aumenta a confiança de clientes internacionais. Para empresas brasileiras, especialmente MPMEs, saber quando uma mercadoria chegará pode ser tão importante quanto o custo do frete”, destaca.

Apesar da evolução do setor, ainda existem desafios para ampliar a eficiência das remessas expressas no Brasil. Os principais envolvem a integração dos sistemas governamentais, a simplificação dos procedimentos tributários e aduaneiros, a harmonização das atuações dos órgãos anuentes, a modernização da infraestrutura aeroportuária, a redução de exigências documentais redundantes e o fortalecimento da previsibilidade regulatória.

“Paralelamente, é fundamental que o país estabeleça uma política pública clara e de longo prazo para o setor de remessas expressas, proporcionando segurança jurídica, estabilidade regulatória e condições para que essa infraestrutura logística continue contribuindo para a competitividade da economia brasileira e sua inserção nas cadeias globais de valor”, ressalta Lara.

Entre as medidas apontadas pelo setor para tornar o Brasil mais competitivo, estão o fortalecimento da interoperabilidade entre sistemas públicos e privados, a ampliação do uso de dados antecipados para gestão de risco, maior integração entre órgãos governamentais e operadores logísticos, simplificação das obrigações acessórias, reconhecimento da natureza porta a porta das operações e a retomada de minimis alinhada às melhores práticas internacionais.

Em um cenário em que velocidade, confiabilidade e integração são fatores decisivos para os negócios, as remessas expressas representam uma infraestrutura estratégica para ampliar a inserção do Brasil nas cadeias globais de suprimentos e fortalecer a competitividade das empresas nacionais.

Fonte: Arteiras Comunicação





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