Estado se desculpa por desaparecimento de ex-aluno da UnB na ditadura
O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) realizou, nesta quinta-feira (2), em Brasília, um ato público de pedido de desculpas em nome do Estado brasileiro à família de Paulo de Tarso Celestino da Silva, ex-aluno da Universidade de Brasília, desaparecido durante a ditadura militar.
Preso em julho de 1971 no Rio de Janeiro, o estudante de Direito foi levado à Casa da Morte de Petrópolis, centro clandestino de tortura, onde ficou por 48 horas sob interrogatório antes de desaparecer. O corpo de Paulo nunca foi encontrado.
A cerimônia na UnB reuniu a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, autoridades acadêmicas, familiares e ex-colegas da vítima. Em seu discurso, a ministra destacou que o desaparecimento representa uma das faces mais cruéis da violência estatal durante o regime.
“O seu desaparecimento representa uma das faces mais cruéis da violência praticada pelo Estado durante a ditadura militar. A ausência de resposta sobre o seu destino ainda impede sua família de exercer plenamente o direito ao luto e desafia toda a sociedade brasileira na busca pela verdade e pela memória. Mas nenhuma tentativa de apagar a sua história será capaz de silenciar o seu legado.”
Paulo de Tarso presidiu a Federação dos Estudantes Universitários de Brasília antes de ingressar na luta contra a ditadura. A escolha da UnB para o ato valoriza a sua trajetória acadêmica e política, segundo a instituição.
A ministra também formalizou o pedido de desculpas do Estado pelas marcas deixadas por uma atuação incompatível com a dignidade humana.
“O Estado brasileiro pede desculpas pela violência que lhe foi imposta, pelo sofrimento causado por seu desaparecimento, pela longa espera por verdade e justiça e pelas profundas marcas deixadas por uma atuação estatal incompatível com a dignidade humana e com os princípios do Estado Democrático de Direito.”
O evento integra as ações do Ministério dos Direitos Humanos voltadas à reparação simbólica das vítimas da ditadura e ao fortalecimento das políticas de memória e verdade no país.