Dois acusados de matarem Mãe Bernadete serão julgados dia 13 de abril
O julgamento dos acusados do assassinato de Maria Bernadete Pacífico, a Mãe Bernadete, está marcado para a próxima segunda-feira, no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador. Isso, se não houver mudanças a pedido das equipes de defesa ou de acusação.
A sessão de julgamento de Arielson da Conceição Santos e Marílio dos Santos, denunciados pelo Ministério Público estadual pelo assassinato, que deveria ter ocorrido no final de fevereiro, foi adiado para 13 de abril a pedido da defesa.
Arielson, apontado como participante da execução, está preso preventivamente e Marílio, tido como mandante, continua foragido da justiça. Os dois serão julgados, entre outros crimes, por homicídio qualificado – por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima e feminicídio.
Movimentos sociais, organizações quilombolas, movimento negro, ativistas, familiares e população em geral farão um ato público no dia do julgamento, às 7 da manhã em frente ao Fórum, que fica no Bairro Nazaré.
As outras três pessoas denunciadas pelo MP baiano, Josevan Dionísio dos Santos, Sérgio Ferreira de Jesus e Ydney Carlos dos Santos de Jesus – este último também acusado de ser mandante do crime, ainda não tem data para serem julgados.
Mãe Bernadete, foi assassinada aos 72 anos, com 25 tiros dentro de casa, na sede do Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador em 17 de agosto de 2023, após homens armados invadirem a comunidade, mantendo familiares reféns e executando a Yalorixá.
Ela era uma das lideranças da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas e uma voz ativa na defesa do território, na luta contra o racismo e na busca por respostas pela morte de seu filho, Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, conhecido como Binho do Quilombo, assassinado em 2017, por defender as mesmas bandeiras da matriarca.
O assassinato da líder quilombola e referência do candomblé baiano ocorreu mesmo depois de a vítima denunciar frequentes ameaças. Ela, inclusive, fazia parte do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.