Dieese estima salário mínimo ideal em quase R$ 7,9 mil


Uma renda mensal de R$ 7.892,55 seria necessária para cobrir as despesas básicas de uma família de quatro pessoas em maio de 2026, segundo estimativa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O valor é equivalente a 4,81 vezes o salário mínimo vigente, fixado em R$ 1.640.

O cálculo é baseado em parâmetros constitucionais de despesas essenciais e no comportamento do custo da cesta básica nas capitais brasileiras. O levantamento é atualizado mensalmente pelo Dieese e serve como referência estatística sobre o poder de compra da população frente ao custo de vida.

Salário mínimo ideal considera custo de vida e parâmetros constitucionais

A estimativa do salário mínimo necessário considera o custo da cesta básica mais cara entre as capitais pesquisadas e os parâmetros previstos na Constituição Federal, que incluem alimentação, moradia, saúde, educação, transporte, vestuário, higiene, lazer e previdência social.

Com base nesses critérios, o Dieese projeta a renda necessária para sustentar uma família composta por dois adultos e duas crianças dentro de um padrão mínimo de consumo.

Embora não tenha efeito sobre o valor oficial do salário mínimo, o indicador é utilizado como referência para análises econômicas e estudos sobre poder de compra, inflação e orçamento familiar no país.

Cesta básica sobe em todas as capitais e pressiona orçamento das famílias

Em maio de 2026, o custo da cesta básica registrou aumento em todas as 27 capitais brasileiras, conforme pesquisa divulgada pelo Dieese em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O estudo, divulgado em 11 de junho de 2026, mostra que o movimento de alta foi disseminado entre as regiões do país, com impacto direto no orçamento das famílias.

Entre as maiores variações mensais, destacam-se Recife (8,05%), Florianópolis (7,81%), Fortaleza (7,48%) e Porto Alegre (7,24%), que apresentaram os avanços mais expressivos no período.

Capitais registram diferentes níveis de custo da alimentação básica

No recorte por valor absoluto, São Paulo permaneceu com a cesta básica mais cara do país, com custo médio de R$ 952,20. Em seguida aparecem Cuiabá (R$ 925,49), Rio de Janeiro (R$ 914,48) e Florianópolis (R$ 913,43).

Na outra ponta, os menores valores foram observados em São Luís (R$ 651,15), Aracaju (R$ 652,73), Rio Branco (R$ 689,11) e Porto Velho (R$ 689,88), segundo o levantamento.

A diferença entre as capitais evidencia a disparidade regional no custo dos alimentos básicos consumidos pelas famílias brasileiras.

Inflação dos alimentos avança no acumulado de 2026

No acumulado do ano, todas as capitais pesquisadas registraram aumento no preço da cesta básica. As variações vão de 3,45% em São Luís até 21,94% em Recife, que lidera a alta no período.

Fortaleza aparece na sequência, com elevação de 21,88%, seguida por Aracaju (20,99%) e João Pessoa (20,22%), indicando pressão inflacionária mais intensa em parte do Nordeste.

Na comparação com maio de 2025, quase todas as capitais também apresentaram alta no custo dos alimentos. A maior variação anual foi novamente registrada em Recife, com avanço de 14,29%. A única exceção foi São Luís, que apresentou queda de 2,52% no período de 12 meses.

Piso nacional segue em R$ 1.640 desde janeiro de 2026

O salário mínimo vigente no Brasil é de R$ 1.640, em vigor desde janeiro de 2026, conforme política de valorização que considera inflação e crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

Mesmo com a regra de reajuste, o indicador do Dieese aponta diferença significativa entre o piso nacional e o valor estimado como necessário para cobrir as despesas básicas de uma família.

A distância entre os valores é acompanhada em estudos econômicos como referência para análise da evolução do custo de vida e da capacidade de compra das famílias brasileiras.

Para profissionais da área contábil, os dados podem subsidiar análises relacionadas ao planejamento financeiro de famílias e empresas, bem como avaliações sobre os impactos do custo de vida nas relações de trabalho.

O levantamento também fornece informações que auxiliam na interpretação de indicadores econômicos e na elaboração de estudos sobre orçamento doméstico e evolução das despesas essenciais.

Além disso, sindicatos, pesquisadores e especialistas devem acompanhar as pesquisas do Dieese para avaliar a distância entre o salário mínimo vigente e o valor estimado para garantir as necessidades básicas previstas na Constituição Federal.





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