Corinthians feminino enfrenta Arsenal por título mundial – 31/01/2026 – Esporte
Jogar finais não é novidade para as atletas do Corinthians, de longe o clube mais vitorioso do futebol feminino da América do Sul nos últimos dez anos. Já são 28 decisões desde a reativação da equipe preta e branca das mulheres, em 2016, nenhuma tão desafiadora quanto a 29ª.
As “Brabas”, como são chamadas as jogadoras alvinegras, terão um grande teste de bravura neste domingo (1º), no Emirates Stadium, em Londres, com capacidade para mais de 60 mil espectadores. Na casa do Arsenal, enfrentarão o Arsenal, uma potência da modalidade, pelo título da Copa dos Campeões feminina da Fifa.
“Acredito que vá estar lotado, mas a nossa torcida também vai marcar presença”, afirmou a atacante Andressa Alves, 33, que tem larga experiência no futebol europeu –com passagens vitoriosas por Barcelona e Roma– e larga experiência como torcedora do Corinthians.
Segundo ela, foram o espírito corinthiano e o apoio dos corinthianos que levaram à vitória por 1 a 0 sobre o favorito Gotham FC, dos Estados Unidos, nas semifinais. Os torcedores fizeram a coreografia do “poropopó” na arquibancada no Gtech Community Stadium, também em Londres, e as atletas retribuíram com um triunfo suado.
“Eu só pensava que tinha que jogar como uma corinthiana, aquela corinthiana de arquibancada, com raça, doação durante os 90 minutos. E aconteceu o que aconteceu”, disse Andressa.
O que aconteceu foi que a agremiação do Parque São Jorge se colocou na decisão da primeira competição feminina mundial de futebol –o torneio segue os moldes da Copa Intercontinental masculina, com a participação do vencedor de cada continente.
Sobraram na disputa as campeãs sul-americanas e as campeãs europeias. E, por mais dominantes que sejam as “Brabas” em seu torrão, é inegável a distância entre as equipes, ao menos no que se refere a investimento e a reconhecimento global.
O Arsenal fez no ano passado a primeira contratação da história do futebol feminino no valor de 1 bilhão de libras (R$ 7,4 milhões na cotação da época), tirando a atacante canadense Olivia Smith do Liverpool. Na seleção da Fifa (Federação Internacional de Futebol), no prêmio The Best de 2025, 3 das 11 jogadoras eram da formação londrina: Mariona Caldentey, 29, Alessia Russo, 26, e Leah Williamson, 28.
“O futebol se joga dentro de campo. É impossível ganhar fora de campo”, afirmou a atacante Gabi Zanotti, 40, símbolo do Corinthians vencedor dos últimos anos, autora do gol que surpreendeu o Gotham FC nas semifinais.
Ela, suas companheiras e o técnico Lucas Piccinato têm usado como motivação o fato de os prognósticos apontarem o time alvinegro como zebra. A lógica da modalidade apontava uma decisão entre o representante da forte liga europeia –o Arsenal fez 6 a 0 no AS FAR, de Marrocos, nas semifinais– e o da também forte liga norte-americana.
“Muita gente não entende o tamanho do Corinthians. Acho que é preciso entender que aqui tem um trabalho que exige respeito, uma grande instituição. O jogo se ganha em 90 minutos. Definir isso antes é desrespeitar a nossa história, é desrespeitar o Corinthians. Serve como combustível”, afirmou a goleira Lelê, 31.
Definida a final, as jogadoras do Arsenal trataram de falar respeitosamente sobre as próximas adversárias. “Não existe esse negócio de favoritismo. É futebol. O Corinthians é um time muito físico, e sabemos que vai ser um jogo duro”, disse a atacante Chloe Kelly, 28.
“É desconfortável jogar contra elas, são bem agressivas e muito talentosas com a bola. Joguei com a Andressa Alves no Barcelona. Estou ansiosa para vê-la. Espero que tenha uma ótima temporada, menos no domingo”, brincou a meio-campista Caldentey.
Cerdas eriçadas de um lado, declarações polidas de outro, não parece haver dúvida a respeito do favoritismo do Arsenal, que ainda joga em casa.
E as “Brabas”, além de enfrentar um adversário poderoso em campo, terão nova luta na difícil caminhada do futebol feminino, que foi proibido no Brasil por quase 40 anos. A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) marcou a Supercopa do Brasil masculina para as 16h de domingo.
Talvez nem mesmo a direção do Corinthians tenha apostado na classificação de sua equipe à final da Copa dos Campeões, às 15h. Assim, enquanto elas estiverem no segundo tempo da grande decisão, boa parte dos alvinegros estará assistindo ao duelo do time masculino com o Flamengo, em Brasília, na briga por um troféu dos menos importantes do calendário dos homens.