Copa: ‘Não somos influenciados por ninguém’, diz Collina – 09/07/2026 – Esporte
As críticas recebidas pelo árbitro francês François Letexier após a vitória da Argentina por 3 a 2 sobre o Egito, pelas oitavas de final da Copa do Mundo, fizeram o diretor de arbitragem da Fifa, o italiano Pierluigi Collina, sair em defesa do seu comandado.
Em uma entrevista ao site da Fifa nesta quinta-feira (9), ele defendeu a idoneidade e a independência dos juízes na competição e negou que eles sejam influenciados.
“É claro que discussões construtivas sobre decisões sempre farão parte do futebol, mas alegações infundadas não têm lugar no nosso esporte. Ninguém pode questionar a integridade dos árbitros da Copa do Mundo. Quando isso acontece, pode provocar reações que levam a ameaças contra eles e suas famílias. Isso não é correto”, disse Collina.
“Da mesma forma, ninguém pode afirmar que a arbitragem pode ser influenciada por qualquer pessoa, nem mesmo pelo presidente da Fifa. Ele sempre demonstrou total apoio ao Fifa Team One, confiando em nós para trabalhar com total independência. Os árbitros tomam decisões honestas e, assim como jogadores e técnicos, sempre tentam dar o seu melhor”, completou.
O diretor diz estar, “no geral”, satisfeito com as atuações dos árbitros. No entanto, ele destaca que, com um número tão alto de partidas disputadas em um período relativamente curto, “é normal que algumas coisas não saiam como esperado. Quando isso acontece, eles estão prontos para trabalhar ainda mais para garantir que estejam totalmente preparados para a próxima partida”.
Para defender Letexier e mostrar que as contestações feitas pelos egípcios são, na verdade, as normas que estão sendo seguidas, Collina citou dois exemplos do próprio confronto com os argentinos.
Antes, ele explicou que após cada gol marcado o VAR (árbitro de vídeo) verifica toda a fase de posse do time que está atacando. Se uma falta for identificada na construção da jogada e for considerada como tendo impacto no gol, o VAR recomendará uma revisão ao árbitro.
“Não há limite definido quanto à distância do gol ou ao tempo entre o incidente e o gol. Um exemplo disso ocorreu no jogo Argentina x Egito, em que o egípcio Marwan Attia claramente pisa no pé do argentino Lisandro Martínez. Acreditamos que falta é falta. Independentemente de a falta parecer ‘óbvia’, se o árbitro não a viu em campo, o VAR pode intervir.”
Um exemplo semelhante, mas com resultado inverno, segundo Collina, ocorreu no lance entre Mohamed Salah e Julián Álvarez, no qual o árbitro e o VAR consideraram que houve contato normal de jogo entre os dois, e não falta, como defendeu o craque egípcio.
“Da mesma forma, se nenhuma falta for identificada na construção de um gol, o VAR informará o árbitro. Pisar no pé de um adversário é falta, enquanto um defensor que toca primeiro na bola, e depois faz um contato normal de jogo, não cometeu falta”, afirmou o diretor de arbitragem, reconhecendo que sempre haverá um elemento de subjetividade em algumas decisões.
“Mas estamos satisfeitos com a forma como esse princípio foi aplicado ao longo do torneio.”
Esse assunto, no entanto, ainda vai render discussões pelo menos até o fim da Copa. O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, por exemplo, afirmou que o Egito foi “roubado” no duelo contra a Argentina.
Durante uma entrevista em um evento sobre os ônibus da cidade, uma jornalista perguntou a Mamdani o que ele faria com os seis minutos que os usuários daquele meio de transporte ganharão diariamente, segundo a prefeitura.
“Eu provavelmente só ficaria assistindo aos replays do Egito sendo roubado ontem [terça-feira] de novo e de novo”, ele respondeu.