Copa: Favorita, França estreia contra Senegal, algoz de 02 – 15/06/2026 – Esporte
Uma das favoritas na Copa do Mundo 2026, a França estreia no Mundial nesta terça-feira (16) às 16h Brasília contra o Senegal, no MetLife Stadium, em Nova Jersey.
A equipe liderada pelo técnico Didier Deschamps e bicampeã mundial (1998, 2018) chega à Copa com o objetivo de borrar ou ao menos atenuar na memória a derrota para a Argentina na final da Copa do Qatar (2022), quando perdeu para o time de Lionel Messi nos pênaltis.
Para começar bem a caminhada, terá de superar, além da forte seleção africana, um fantasma do passado.
Na Copa de 2002, a França também era uma das favoritas. Vinha, afinal de um ciclo vitorioso que incluia a Copa de 1998 e a Euro de 2000. A estreia, em Seul, na Coreia do Sul, foi exatamente contra Senegal, que, numa das maiores zebras da história dos Mundiais, venceu por 1 a 0.
Os africanos avançariam até as quartas de final daquele Mundial, quando foram eliminados pela Turquia. A França parou na primeira fase.
Desta vez, ainda que “com ambições válidas para levar o troféu”, porém, o treinador afirmou que ainda não considera o seu time o favorito. “Temos muito potencial, mas não vou dizer que a França é melhor do que as outras equipes. O grande favorito é a Espanha, não tenho dúvidas sobre isso”, disse Deschamps nesta segunda (15). A Espanha empatou por 0 a 0 com Cabo Verde na tarde desta segunda, depois da entrevista do francês.
Do outro lado, também há um sabor amargo: um dos melhores times da África, o Senegal busca um resultado que diminua a frustração de ter conquistado a última Copa Africana de Nações contra Marrocos em campo e depois ter tido a vitória anulada pela confederação local devido ao comportamento do time, que deixou o campo temporariamente durante a final, em protesto contra a marcação de um pênalti nos acréscimos. O pênalti foi perdido, a partida continuou e Senegal venceu na prorrogação, por 1 a 0.
A equipe da Costa Oeste africana sonha reeditar a boa campanha de 2002. Uma vitória sobre a França, que tem o atacante Kylian Mbappé como estrela, parece difícil, mas também parecia na época.
A estrela da seleção senegalesa, Sadio Mané, hoje no Al-Nassr, da Arábia Saudita, participa de sua segunda Copa do Mundo. O maior artilheiro da história de seu país, ele participou do torneio de 2018, na Rússia, e em 2022 ficou de fora devido a uma lesão. A equipe espera ao menos avançar ao mata-mata, com o sonho de superar a campanha histórica de 2002, quando chegou às quartas de final.
Na equipe francesa, Mbappé, recordista histórico de gols em finais da Copa (1 contra a Croácia em 2018 e 3 contra a Argentina na decisão de 2022), segue se consagrando entre os melhores do mundo. Se marcar cinco gols nesta Copa, o francês, com 12 gols até agora, superará Miroslav Klose (16) e se tornará, aos 27 anos, o maior artilheiro da história do torneio.
França e Senegal, que estão no Grupo I, não são rivais tradicionais do esporte. Simbolizam, no imaginário do torcedor senegalês e de outros países africanos, a disputa entre a antiga metrópole e suas antigas colônias que ainda estão tentando encontrar sua identidade. Senegal conquistou sua independência da França somente em 1960.
Após romper o laço colonial em 1960, França e Senegal mantiveram boas relações, mas a tensão sempre esteve presente, como em todo o Sahel africano.
Há pouco mais de um ano, o Senegal pediu à França que removesse seus militares de solo senegalês, encerrando um pacto de defesa e enviando uma sinalização importante, em conjunto com outras ex-colônias, sobre a perda do capital político e social francês na região.
Mas talvez o maior demonstrativo do legado colonial esteja na nacionalidade dos jogadores e campo. Pelo menos 18 dos 26 jogadores da seleção francesa, incluindo o próprio Mbappé e outras estrelas como Ousmane Dembelé, representam a segunda geração, ou seja, são filhos de imigrantes que se naturalizaram franceses, a maioria do Norte africano ou da África Ocidental.
Do lado senegalês, há um movimento semelhante. O zagueiro e capitão Kalidou Koulibaly nasceu em território francês filho de pais imigrantes senegaleses. Em uma Copa na qual o tema migratório é tão sensível, França e Senegal adicionam mais uma camada para prestar atenção.