Copa: Escoceses transformam Boston em Edimburgo americana – 18/06/2026 – Esporte
Milhares de escoceses que viajaram a Boston para acompanhar a seleção de seu país na Copa do Mundo estão mudando a dinâmica da cidade.
Bares preparam estoques de cerveja para receber torcedores com sede nesta sexta-feira (19), quando a Escócia enfrenta Marrocos pela segunda rodada do Grupo C, dias após uma invasão amigável ao estádio dos Red Sox, tradicional clube de beisebol da capital de Massachusetts.
A vitória por 1 a 0 sobre o Haiti no sábado (13) obrigou os funcionários de pubs a correr atrás de suprimentos emergenciais para satisfazer os britânicos que queriam comemorar.
“Estou nesse ramo há mais de 30 anos e nunca vi nada parecido”, disse à Reuters Billy DeCain, gerente geral do bar Sam Adams, que fica no centro da cidade. “Eles dormem alguma hora? Eles se cansam? Estavam de volta no dia seguinte às 11h da manhã.”
Foi a estreia da Escócia em Copas 28 anos após a última participação na competição, em 1998, na França.
Nascido em 1999, Mark Kelly saiu de uma cidade perto de Glasgow e viajou aos Estados Unidos só para assistir à partida contra o Haiti, pela qual desembolsou US$ 450 (cerca de R$ 2.300). “Não sei se vai acontecer de novo, então tínhamos que vir”, afirmou, cercado de amigos com menos idade do que a ausência do país em Mundiais.
Conhecida como Tartan Army (ou exército tartan), nome da lã com padrão xadrez usada para confeccionar os tradicionais kilts (roupa escocesa que se assemelha a saias), a torcida foi convidada a assistir ao jogo dos Red Sox contra o Texas Rangers no dia seguinte.
Cerca de 5.000 pessoas atenderam ao chamado e lotaram as arquibancadas do Fenway Park no domingo (14). No trajeto até o estádio, uma marcha com direito a gaitas de fole que conquistou os habitantes de Boston.
“Os torcedores escoceses são os melhores. Eles têm sido calorosos, têm apoiado nossos negócios, têm conhecido nossa comunidade e tratado Boston como se fosse um lar longe de casa para eles”, disse a prefeita da cidade, Michelle Wu, vestida com uma camisa azul da Escócia. “Espero que o Tartan Army continue voltando a Boston.”
Dentro do Fenway Park, a torcida entoou a plenos pulmões canções reproduzidas pelo sistema de som, como “Dancing Queen”, do ABBA, além de seus cânticos tradicionais.
Gail Nicholl voou para Boston vinda de Edimburgo, mas disse que não tinha planos de assistir a uma partida, preferindo apenas participar da festa.
“O Tartan Army é conhecido por se divertir”, disse ela. “É a camaradagem. Todo mundo cuida de todo mundo. É fabuloso. É uma grande família.”
Depois de jogar contra Marrocos, a Escócia viaja a Miami para enfrentar o Brasil no dia 24 de junho, quarta-feira.