Copa: É Lamine Yamal, não só Yamal, que não é sobrenome – 15/07/2026 – O Mundo É uma Bola
No lado de trás da camisa, acima do número, há um espaço para ser estampado o nome do jogador, isso já faz muitos anos no futebol, desde a década de 1990.
No cenário internacional, quase sempre está lá o sobrenome do atleta: Messi, Mbappé, Haaland, Kane, Dembélé, Bellingham –citando artilheiros desta Copa do Mundo.
Há exceções? Sim. Os brasileiros muitas vezes são chamados pelo primeiro nome (Endrick, Danilo, Rayan) ou pelo apelido e/ou diminutivo (Hulk, Raphinha, Marquinhos), e é assim que aparece na camisa.
Entre os holandeses, há pelo menos dois casos de o nome, e não o sobrenome, estarem escritos no uniforme, tanto no clube como na seleção: Virgil (não Van Dijk, o zagueiro do Liverpool) e Memphis (não Depay, o atacante do Corinthians).
Eles querem que seja assim, e assim o é.
O que parece que quase ninguém –e isso se acentua no Brasil– percebeu é que tem um jogador muito famoso nesta Copa que é tratado de modo incorreto quando o assunto é nome e sobrenome.
Lamine Yamal. O talento de 19 anos está na decisão do Mundial, depois de enfim uma boa apresentação na competição, na semifinal contra a França.
Leio os seguintes títulos em textos recentes de sites esportivos da mídia brasuca: “Yamal supera Mbappé e será o 3º mais jovem a disputar final de Copa“; “Entenda por que toque no braço de Yamal não anulou pênalti para a Espanha”; “Irmão mais novo de Yamal comemora classificação e web reage”; “Yamal usa faixa com código em jogo contra França; veja significado”.
Yamal. Como se Yamal fosse o sobrenome do craque espanhol. Não é. Lamine Yamal é o nome. Um nome composto. Como Cristiano Ronaldo, Bruno Henrique, Yuri Alberto, Fabrício Bruno.
O nome completo é Lamine Yamal Nasraoui Ebana. Nasraoui é sobrenome do pai (que é de Marrocos) e Ebana, sobrenome da mãe (que é da Guiné Equatorial) –esta o acompanha na Copa na América do Norte, junto com seu outro filho, meio-irmão do camisa 19 da Fúria.
Seu nome foi dado pelos pais em homenagem a duas pessoas que os ajudaram financeiramente quando o hoje jogador ainda não tinha nascido. Uma promessa de gratidão, cumprida quando ele veio ao mundo.
Na camisa, contudo, nada de Nasraoui ou Ebana. O atacante prefere estampar –tanto na seleção como em seu clube, o Barcelona– como quer ser chamado: Lamine Yamal. Nem só Lamine, muito menos só Yamal.
Não haveria nenhum problema em chamá-lo de Yamal, se ele assim quisesse. Cristiano Ronaldo é exemplo: virou só Ronaldo, está na camisa. CR7 assim quis.
Só que no caso do espanhol é inapropriado apenas Yamal. Seria como se referir ao atacante Kaio Jorge, do Cruzeiro, somente como Jorge. Hã? Ou ao goleiro Carlos Miguel, do Palmeiras, apenas como Miguel. Quê?
Está errado? Dirão que não, que faz parte do nome. Mas é um descabimento. Não faz sentido.
Sem ser radical, Lamine Yamal até pode ser Yamal, e por aqui e por acolá continuará sendo, mesmo para quem sabe ou passe a saber que não é sobrenome. É sonoro.
Mas não deve ser Yamal. Se ele prefere Lamine Yamal, se ele usa na camisa Lamine Yamal, com todas as letras, quem tem autoridade para falar ou escrever diferente?
O que foi, foi, não será corrigido. Eu mesmo errei, por desconhecimento –desagradável, porém justificável. O acerto é obrigatório a partir de agora. Quem sabe não erra.
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